A expressão do horror ideológico nas obras de Edilberto Sobrinho

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Entrevista realizada por Aristides Oliveira

Conversei com meu artista visual favorito. Ainda bem que eu e Edilberto moramos no mesmo Estado, o que economizou tempo e dinheiro para fazer uma entrevista presencial. Combinamos um encontro no Cocobis. Tomei um cappuccino com sabor duvidoso e ele foi de cuscuz com café expresso. Nosso papo demorou pra acontecer. Agora que deu certo, compartilho essa troca para quem gosta de arte com a mente livre, sem preconceitos e com disposição para apreciar o que há de mais extremo, gore, brutal e pornográfico nas artes visuais atualmente.

Nas palavras do mestre:

Testemunha de Jeová durante quase toda a sua adolescência, teve nessa religião o seu principal algoz para lidar com todas as outras questões que o atormentavam na vida, como o bullying, a total falta de autoestima e a descoberta da sua homossexualidade. Depois de vários anos de fanatismo religioso, finalmente conseguiu se libertar por volta de seus 18 anos, entregando-se aos desenhos de horror como uma forma de botar para fora todo o ódio que sentia das pessoas, de si mesmo e do deus cristão. Após alguns anos, conseguiu fazer as pazes com o cristianismo novamente, desta vez se tornando um cristão moderado e encontrando na doutrina espírita um alento para todas as suas questões.

Após alguns anos bem e com uma fé na vida e na humanidade renovadas, tudo isso se pôs a perder com o advento das redes sociais e do bolsonarismo. O bordão “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” estava em todos os cantos e as pessoas mais imbecis da face da Terra passaram a encher a boca para dizerem que eram cristãs, para logo em seguida dizerem impropérios que deixariam o próprio Adolf Hitler morrendo de inveja. Toda essa onda de reacionarismo da extrema-direita que assolou o nosso país serviu de gatilho para que ele relembrasse a sua época de fanatismo religioso, fazendo-o renegar o cristianismo e o seu deus de uma vez por todas da sua vida.

Ao mesmo tempo em que isso foi acontecendo, foi descobrindo a arte sacra e apaixonando-se por ela até que a elegeu como o seu tipo favorito de arte. Esse seu misto de sentimentos tão opostos, pois amava arte sacra ao mesmo tempo em que odiava o seu significado, fizeram com que ele se lançasse em uma nova linha de arte na sua vida. Abandonando o horror gore, passou a mesclar elementos de arte sacra com política, satanismo, profanações e pornografia homossexual, coisas que o fizeram perceber que, além de darem uma característica peculiar aos seus trabalhos, também chocava muito mais os cristãos reacionários que o fizeram adoecer do que os desenhos de horror comuns, e passou a se lançar na cena do underground piauiense desde então.

ARISTIDES: Eu queria que tu abordasse como foi tua relação com a religiosidade na adolescência.

Minha mãe foi inocente. Ela não sabia no que estava me metendo. A minha mãe é uma pessoa ecumênica. Ela acha que é importante você ter uma fé, uma religião. E aí chegaram lá em casa, quando a gente morava junto, os testemunhos de Jeová oferecendo um estudo bíblico e ela achou que seria uma boa para mim. Como eu não tava praticando fé nenhuma, devia ser legal pra ela ter uma religião. Ela, não sabendo no que tava me metendo, se ela soubesse, ela não teria me… Ajeitado isso, né? Ela foi inocente. Então, assim… Ela não teve culpa. Foi por causa dela, mas ela não teve culpa. Ela não sabia o desastre que ia ser. Eu tinha 11 anos e não tinha filtro. Essas religiões pegam até gente adulta com opinião formada. Imagine um pré-adolescente. O que ocupou muito meus pensamentos foi inferno, juízo final, Jesus está voltando. Toda vez que ia fazer alguma coisa diferente da minha rotina, ia na Bíblia pesquisar se aquilo era pecado ou não. E isso começou a consumir o meu psicológico. Eu sonhava muito com Jesus voltando, com o juízo final e Ele me punindo da forma mais horrível possível.


ARISTIDES: Tu frequentou essa religião? Ou só teve uma visita?

Ele fazia estudo bíblico lá em casa toda semana. E a primeira aula foi sobre o apocalipse.

ARISTIDES: O cara começou metendo a voadora com dois pés.

Isso. Esse pessoal não tem um critério pra passar a fé deles de acordo com a faixa etária. Tu lembra daquela música? Aquela música famosa… “Quem pecar vai queimar, quem pecar vai morrer”. Tu já ouviu essa música, né?

ARISTIDES: Sim, feita para crianças. Tipo um gospel infantile.

Então eu sonhava muito, uma vez por mês, com o juiz final, Jesus me destruindo, acabando com o mundo das piores maneiras possíveis. Jesus já acabou com tudo quanto foi jeito dos meus sonhos. E aí eu vivia com medo, vivia com medo de pecar. E aí quando comecei a perceber que eu sou gay.

ARISTIDES: Isso foi na mesma época?

Um pouquinho depois. A gente tem a sexualidade quando é jovem, ainda mais quando você é gay, você não tem certeza, você pensa que é uma fase. Ainda mais quando você tem uma religião que condena… Na época você pensa: “não, isso daí vai passar”. Daí quando percebi que eu era gay mesmo, comecei a mexer mais no meu juízo. Comecei a ficar com mais medo, com mais terror. Tinha a questão do bullying que eu sofria na época por conta da aparência física que eu tinha e também por ser muito novo em turmas de pessoas mais velhas, e a minha mentalidade de ser de uma pessoa mais nova ainda, enquanto eu chegava no ensino médio, meus amigos estavam tudo transando, indo pra festa, bebendo, eu ainda estava brincando.

ARISTIDES: Vamos voltar só um pouquinho à questão da religião. Como foi esse processo do teu envolvimento? Como eram essas leituras? Tua mãe te obrigava?

Não, não obrigava. Realmente eu gostava, acreditava naquilo, achava que era necessário. E morria de medo daquilo. É tipo, você tá… Um cara com uma arma na sua cabeça, dizendo que se você não fizer isso você vai levar um tiro. Então o sentimento que eu tinha era esse.

ARISTIDES: Isso era na tua casa?

Sim. E pra mim aquilo dali tudo fazia sentido, pra mim era verdade absoluta. Mas eu gostava, queria muito me salvar. Eu acreditava, tinha uma certeza absoluta de Jesus estar voltando. Aquilo me consumia muito, mas daí comecei a me destruir, principalmente por questão da repressão de sentimentos. Era porque sofria muito bullying, tinha muita raiva das pessoas e não podia sentir essa raiva. Porque tinha o que Deus estava vendo. E é pior ainda do que você enfrentar alguém da máfia, que pelo menos o dono da máfia, o mafioso, ele não sabe dos seus pensamentos. Deus sabe. Eu tinha pensamentos horríveis por conta do bullying que eu sofria, por conta do ódio que tinha de mim mesmo, tinha a autoestima na lama, mas tinha que reprimir, em questão de milissegundos, aqueles sentimentos. Era pra Deus não saber. Porque só em você sentir raiva de uma pessoa, você tá pecando. E pecado te levava para o mesmo destino, que é o inferno. Então, se você for ver que uma pessoa que só mentiu, você vai para o mesmo lugar da pessoa que esquartejou 50 pessoas. E se você sentir raiva de pessoa, sentir ódio, desejar o mal, é um pecado terrível. Então tinha que reprimir. Ouvia coisas horríveis quase todos os dias das pessoas ao meu redor. Me odiava e tinha que orar e desejar o bem delas. O bem delas acontecia, aí eu ficava pior ainda. Então eram muitos sentimentos ruins e reprimidos, por conta da religião. Se fosse só o bullying e a falta de autoestima, talvez eu tivesse me saído mais fácil. Mas a religião era cereja no bolo de merda.

ARISTIDES: E essa questão do bullying, o que é que faziam contigo? Que tipo de comentário falavam sobre ti?

Olha, tenho 1,86m, naquela época tinha 68kg, o rosto coberto de espinhas, meus dentes eram muito separados, muito pra frente. Andava encurvado e tinha um psicológico meio infantil, tipo, pessoa que não entendia nada do mundo, então era um prato cheio mesmo pro pessoal do bullying, né? Então vivia ouvindo dizendo “viado”, “retardado”, “mongoloide”, “bicha”, “lacraia”. Tudo que tinha nome, esse pessoal inventava pra mim. Toda vez que eu via um aglomerado de pessoas na rua, esse pessoal falava alguma coisa pra mim, chamava de algum desses nomes. Podia ser onde fosse.  Chegando lá na minha casa eu desci da parada de ônibus, que era um pouquinho longe da minha casa. Eu tava quase chegando lá… Cheguei a ver um grupo de pessoas. Minha casa aqui e um grupo de pessoas ali. Na hora que eu vi eles, dei a volta no quarteirão todinho. Voltei o mundo pra poder chegar na minha casa. Pra eu não passar na frente deles. Estava tão bugado, tão calejado que estava com medo de um comentário de grupo de pessoas desconhecidas. E os ataques eram mais por conta disso mesmo, por ser totalmente fora dos padrões físicos de beleza na época. E da mentalidade que era infantil. Eu aparentava amar minha homossexualidade. Tanto que nem sei se hoje o meu comportamento atual sou eu mesmo ou se é tipo filtro de várias repressões: “tem que criar jeito de homem, tem que mudar esse jeito” para poder me encaixar, para ser mais heteronormativo. Não sei se o que eu sou hoje é uma coisa natural mesmo, ou se é resultado de várias repressões de comportamento. Porque eu era bem mais aparente, era um homossexual bem mais aparente quando era mais novo.

ARISTIDES: Mas tu lembra quando foi que tu começou a perceber que era hora de tomar alguma posição pra se encaixar nessa heteronormatividade?

Não, porque desde criança que eu vi que tinha que “criar jeito de homem”.

ARISTIDES: Quando foi que tu percebeu ser reflexo dessas repressões?

Eu não sei, cara. Foi uma coisa orgânica. Me peguei pensando um dia. Tinha o preconceito dos próprios gays contra os gays. O gay que era aceitável era heteronormativo. “Ah, tudo bem ser gay desde que”… Abrindo as aspas, né? “Tudo bem ser gay desde que saiba se comportar”. E saber se comportar é parecer hétero. “Não curto afeminados, não quero saber de afeminados”. Então tinha muito isso, o querer se encaixar também na questão do “gay aceitável”. Hoje em dia não tenho mais isso, não tenho mais essa cobrança comigo mesmo.

ARISTIDES: E quando foi que tu percebeu que estava na hora de: “foda-se com a religião, foda-se com quem quiser achar da minha escolha opção sexual, a partir de agora vou pensar assim”?

Não lembro o que foi que aconteceu, mas lembro do exato pensamento que tive quando aconteceu. Um belo dia eu peguei pensando: “rapaz, pra que eu quero tanto essa vida eterna mesmo? Esse paraíso que os testemunhos já prometem. Por quê? Meu pai vai para o inferno porque é ateu. Minha mãe vai para o inferno porque é católica. Minha família todo dia vai para o inferno”.

ARISTIDES: Os católicos não vão para o céu?

Os testemunhos de Jeová vão. Só quem vai ser salvo são eles. Você pode ter 10 prêmios Nobel da paz. Se você não for testemunho de Jeová, você não é salvo. Eles só acreditam nisso. A crença deles é essa. Você pode ser a pessoa mais pura e bondosa do mundo e ter a fé em Deus que você for, mas se você não for da religião certa, que no caso é a deles, você não vai ser salvo. Então, quase todo mundo que eu amava não seria salvo. Tudo que eu gostava era do demônio. Era meu desenho animado, meus videogames, tudo que eu gostava era do “demônio”. “E pra que eu quero saber disso? O que eu quero com esse Deus mesmo, se tudo que eu gosto é do demônio? Pô, você é do demônio mesmo. Não quero mais saber desse Deus”. Aí eu chutei o pau da barraca. Fui logo pro outro lado. Mas não lembro o que aconteceu de fato que me fez eu ter esse pensamento, mas creio que foi aquela coisa de você ficar juntando, juntando, juntando, juntando aquela panela de pressão até que ela estourou.

Anatomia de Um Unicórnio ou O Primeiro Filho de Deus (2025).

Grafite sobre papel.

ARISTIDES: Mas qual é o sentido que a figura do diabo, do inferno, do demônio… Qual é o sentido que ela carrega para ti em oposição a Cristo, a Deus, a céu? Tu leva mesmo a sério essa ideia do arrebatamento, de ir para o inferno? Ou hoje essa tua opção é mais no sentido irônico, metafórico, ou isso seria realmente uma crença do Edilberto?

Eu não acredito mais em arrebatamento. Deixa eu ver, o que eu acredito em cristianismo? Acredito que Deus é o Deus do Velho Testamento, acredito que Deus existe, acredito que o Diabo existe, só que a minha opção hoje é pelo diabo. Não acredito no Diabo que seja uma entidade ruim, o Diabo é uma entidade maravilhosa e que Deus sim é uma entidade ruim.

ARISTIDES: Me explica um pouco isso aí, o que te leva a pensar isso?

Bom, se existisse uma pessoa nesse mundo que nunca tivesse ouvido nem falar de Deus e nem do Diabo e ela fosse ler a bíblia satânica, a bíblia de Deus e perguntasse qual prefere, ia preferir o Diabo. Porque se for ler a Bíblia de Deus só tem atrocidade. Na época em que eu era cristão, lia a Bíblia e ficava aterrorizado. Principalmente a questão do Antigo Testamento. Podre. Eu ficava aterrorizado com aquilo dali. Morria de medo. É por isso que continuava fanático. Por conta do medo. O Diabo não se importa com a tua orientação sexual, não se importa com quem tu transa, não se importa com essas coisas triviais que o cristianismo se importa. O que ele quer? Que você se melhore e ele quer que você seja uma pessoa justa. Ele não quer que você faça mal pra você mesmo e nem pro outro. É só isso. Enquanto que Deus não. Deus tem aquele monte de coisinha de não sei o que, tem aquela vaidade de querer ser adorado. Tem aquela coisa dos cristãos que diz que uma prova de fé é você aceitar Deus mesmo com uma faca no seu pescoço. Eles louvam os cristãos que morreram em nome da fé quando eles estavam sendo perseguidos por Roma e o Diabo acha que isso daí é uma idiotice.

Ele diz que se você estiver num meio hostil à sua religião, no caso o satanismo, e se você tiver que dizer que é cristão pra você se proteger, pra ficar bem, ele não vai te punir por conta disso. Então acho que ele é superior em vários aspectos. O Diabo quer que você fique bem, que você faça sua parte perante ele. Acredito em Lúcifer, sou luciferiano, acredito na existência do Diabo, mas como uma entidade pagã.

Não como aquela entidade que o cristianismo vê. Ele não é 100% bom, mas joga limpo. Ele diz onde que ele é ruim: “você não me traia, que se não acontece isso, e é nisso que eu acredito”. Enquanto que Deus, ele se finge de bom. Deus é amor infinito e misericórdia, mas se você for gay, ele te manda pro inferno.

ARISTIDES: Mas essa coisa do “se você não me traia, eu faço algo com você, eu vou lhe punir” não acaba igualando com a fúria de Deus?

É porque ele tá jogando limpo. Se tu acreditar em Deus, ele vai dizer que foi tua culpa, ou que “Deus escreve certo com as linhas tortas”, vai dizer que a culpa é tua. E o Diabo não, ele joga bem as cartas. Você sabe até onde você pode ir, até onde você pode não ir. Aí se você for quebrar as regras… for trair ele, aí você vai sentir as consequências.

ARISTIDES: Quando foi que tu teve conhecimento dessa bíblia satânica e qual foi a leitura que tu fez dela? O que que ela trouxe de ensinamento pra ti?

Eu comecei a ler por curiosidade. Sabe aquela história de eu só ouvir falar de uma pessoa pelos inimigos dela, então deixa eu ouvir o lado dela também, que só ouvia falar do Diabo pelos cristãos. Fui ler a parte do satanismo pelos próprios satanistas, lendo alguns artigos da internet e fui vendo que dali tem sentido. O satanismo, na essência prega um modo de justiça, de bondade, que é o que a maioria das pessoas comuns, que se consideram boas, fazem.

ARISTIDES: Por exemplo?

Ele não se importa se você vai numa festa, se você usa roupa tal. Ele não diz pra você amar seus inimigos, que a maioria das pessoas não ama. É antinatural você amar um inimigo se alguém quer te destruir, alguém quer te matar.

ARISTIDES: Como é que se ama uma pessoa dessa?

E ele diz que você tem que odiar essa pessoa mesmo. Amor pra quem ele ama e ódio pra quem ele odeia. Você tem que ser recíproco. Ele diz até que se um inimigo te bate na face, você deve esmagá-lo na outra. E… qual foi mais a outra pergunta que tu fez?

ARISTIDES: Sobre a leitura.

Ah, sim. O que que me ajudou? Me ajudou a ter mais fogo no olho pra conseguir minhas coisas. Porque ele quer que você seja seu próprio Deus. Ele não quer que você dependa dele. Ele vai te ajudar te inspirando, fortalecendo. Ele quer que você faça a sua parte, e no que não puder a você, tipo na questão da sorte, que a vida da gente é muito você fazendo o seu, mas também a questão da sorte. E na questão da sorte, na questão que não depende de você, ele vai lhe ajudando, mas ele quer que você trabalhe e se desenvolva, e se sustente, sem depender dele. Depender dele só na parte que não lhe cabe.

ARISTIDES: E o diálogo entre o satanismo e a arte sacra? Como se deu? Como foi que tu começou a se interessar por ela e usar nos teus trabalhos?

Sim, antes dela comecei a botar pra fora as coisas que sentia através do horror convencional. Aquela coisa que sempre passa na cabeça de todo mundo quando pensa em arte de horror. É tripa, sangue, monstro. Aquela coisa mais padrão. Lembro que em 2017 me apaixonei por arte sacra. Comecei a folhear a achar massa. Comecei a gostar daquela simetria, da falta de perspectiva, daquela apatia dos santos. Não tem santo feliz, né? No máximo é um sorrisinho discreto, mas não tem esse gargalhão. Comecei a gostar muito daquelas faixas com dizeres em latim. Comecei a me amarrar nisso, a ficar louco e ao mesmo tempo a odiar o cristianismo com muito mais força. E foi justamente quando entrei em contato com o bolsonarismo. Até então não estava odiando o cristianismo, não fedia nem cheirava. Quando comecei a me deparar com as redes sociais e com o Bolsonaro e com essa fuleiragem de “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, e o pessoal começando a bater no peito pra dizer que é cristão, o pessoal comemorando a morte de gay porque era cristão, porque são pecados que irão pro inferno, aí isso daí me deu um ódio de cristianismo e de Deus.

Acho que caiu como uma luva. Amei a estética daquela coisa, amei a arte, mas odiei o que ela representa. Achei que casava muito bem. Comecei a querer criar arte sacra, mas destruindo o conceito dela. Então não faço mais monstros, não faço mais sangue, não faço mais aquela coisa do gore, horror. O que é que eu gosto de fazer? Gosto de pegar várias imagens inocentes por si só e juntar elas num contexto horrível.

O que faço é um tipo de um horror ideológico. Só vai sentir horror quando vê aquelas pessoas que estão do lado oposto da minha ideologia, ou seja, uma pessoa muito fervorosa religiosamente. As pessoas que estão do meu lado não vão se horrorizar com o meu desenho, eles vão achar engraçado. O pessoal se acaba de rir. Pra eles é humor. E pra mim é humor. Agora, pro pessoal que não é, que se opõe a ideologia que tem no meu desenho é um absurdo. É pior do que o horror convencional. O horror dos monstros e das tripas.

ARISTIDES: Nessa relação que você tem com o humor, lembro de um cineasta chamado Ivan Cardoso, que já usou uma expressão conhecida como TERRIR. E eu me lembro muito dele quando vejo tuas imagens, porque é o grotesco engraçado. Como é que o grotesco pode ser engraçado? Tu consegue trabalhar esse equilíbrio de lugares que são antagônicos. Então como é que tu pensa o riso no teu trabalho?

Da minha natureza mesmo. Sou debochado no meu dia a dia. Comecei a usar o deboche da sátira pra lidar com as coisas ruins da vida. Antes de eu ser assim, antes de me perceber desse jeito, me entristecia, ficava esmurecido, me lastimando e aí depois comecei a me apropriar das coisas ruins e comecei a debochar delas, debochar dos meus medos, das coisas que eu tenho ódio. Eu comecei a lidar melhor com isso.

 Ainda afetam, mas me afetam bem menos depois que me apropriei delas através do deboche, da sátira. Como já tenho essa personalidade de deboche, isso daí vem para os meus desenhos. Gosto muito do satanismo deboche, de você provocar as pessoas através da sátira.  Essa questão do horror que o sexo traz. Por que o sexo é tão horrível pras pessoas? Por que pênis e ânus, que são coisas que várias pessoas têm, né? Que todos os homens cis têm. E sexo é uma coisa que quase todo mundo faz. Por que que isso é tão horrível? Por que que isso é um desrespeito? Por que que isso é um tabu tão grande?

Isso é uma coisa que é tão boa e que várias pessoas fazem. Gosto dessa questão do porquê que sexo horroriza mais que assassinato. As pessoas não tem tanto pudor em mostrar assassinato, violência, agora tem pudor mais de sexo. E por que isso acontece na sociedade? Eu gosto desse paradoxo.

ARISTIDES: Sobre tua técnica, como foi que tu começou a aprender a afiná-la pra chegar onde chegou? Foi antes de tu fazer o curso de artes na universidade?

Desenho desde pequeno, mas sinto que evolui muito. quando conheci a minha artista favorita, a Laurie Lipton. Ela que me inspira em questão de técnica. Antes de eu conhecê-la, jurava que pra eu ser um grande artista, tinha que, obrigatoriamente, ir pra pintura, pintura digital, essas coisas mais rebuscadas. Conheci o trabalho dessa mulher. Antes fazia só o lápis mesmo, era por conta dinheiro, né? Era o que cabia pra mim. E aí vi o trabalho dessa mulher… “Puta merda, viu?” Vou querer fazer coisa grande é no lápis mesmo, que é a coisa mais básica. Então gosto muito desse conceito de fazer coisas grandes com o material mais simples. O artista que é o lápis, é o material mais básico. Me apego muito a esse conceito.

E nós temos muitos grandes artistas que trabalham mesmo só com lápis e fazem coisas fantásticas. Então quero chegar pelo menos nos pés dela, né? É meu objetivo. Não quero ir pra coisa mais rebuscada. Quero continuar no lápis. É uma questão ideológica minha.  É um desafio pessoal meu continuar no lapis. Fazer coisas grandiosas com o básico.

ARISTIDES: Como foi que tu construiu uma rotina de estudo pra chegar naquele nível que tu tem hoje de detalhamento? Pra mim teu trabalho não é o “básico”, é rebuscado também. Tem riqueza de detalhes, tem preocupação com hiperrealismo, digamos assim.

O trabalho da Laurie serviu como referência. Porque até então minha técnica era muito grotesca, não tinha nada de estudo mesmo, era coisa que vinha assim na intuição. E quando comecei a pegar as referências dela e de outros grandes artistas de lápis é que comecei a estudar. É prática mesmo, coisa de anos e anos e anos. E você sempre vai perceber que você tá melhorando. Tem coisa minha de três anos, quatro anos atrás que eu já não gusto. E quatro anos antes desses quatro anos também gosto menos ainda. E eu tenho certeza que a coisa que eu tô fazendo hoje, daqui uns cinco ou seis anos, vou olhar diferente. Prática, estudo, referência, prática, referência, comecei a focar mais. O que fez com que rebuscasse foi a partir do momento que botei o desenho como o alicerce principal da minha vida, que antes não tinha isso, ficava como um hobby. Era uma terapia e ficava: “não, eu quero ser um grande desenhista”, mas sempre empurrava isso como: “ah, eu queria ser rico”. A pessoa fala: “equerser rico e não faz nada, queria ser um atleta e não faz nada”. Foi nesse momento que comecei a estudar as obras dela e comecei a dizer: “não, vou ser um artista mesmo”. E comecei a fazer isso o cerne da minha vida, a minha preocupação principal, que os meus empregos, que pagam o meu dinheiro, foi tudo pensando no meu desenho. Não quero ser um artista comercial. Tenho muita dificuldade de fazer coisa para os outros, fazer encomenda. Se alguém me der um roteiro: “Edilberto, quero que tu faça isso daqui”. Minha mente trava. Gosto de fazer para mim, coisa terapêutica, e quem gostar… Faço mais é por terapia, por reconhecimento, pra conversar com pessoas que passaram pela mesma coisa que eu, e já conversei com várias pessoas que passaram pela mesma situação. Qual era a pergunta mesmo meu amigo?

Laurie Lipton.

ARISTIDES: Não, pode continuar. O que é que rolou nessas conversas?

Percebi que os testemunhos de Jeová são fábricas de ateus e satanistas. Porque o que tem de satanista, que é ex-testemunho, não tá escrito.

ARISTIDES: Acaba sendo um trauma?

É, quando você sai de uma situação, tipo, nativo-religioso, é muito difícil você ir pro meio termo. Você sai do 8 para o 80. Você cria ódio mesmo, porque você tá com muita coisa reprimida. E eles passaram por coisas que achei bem piores do que eu. Tive a sorte da minha família não ser… O pessoal que é da família… que tinha família testemunho de Jeová, tipo… O que eles pregam nessa seita? Que se você tem um membro da sua família e tem um membro que é batizado na seita, e essa pessoa resolve sair da religião, ela tem que ser excomungada. É o ostracismo que chama, né? Então os familiares têm que virar as costas, não devem falar. E se for menor de idade, se for um batizado, o que eles recomendam? Que ele dê mesmo só o básico, só pagar as contas sobre a existência, mas não deve dar afeto. Isso é um ensinamento que eles têm. E aí tinha pessoas lá que disseram que tinham 5 anos que não falavam com a mãe. Outro que tinha 7 anos, outro que tinha 15 anos, que não falava com a família.

ARISTIDES: E como é que tua mãe encara isso hoje?

Ela se acostuma! É, não reprova. Ela reprovava muito no começo, mas ela viu que não tinha mais jeito, ela se acostumou. A minha mãe é cristã, minha família é cristã, mas não são aqueles cristãos fechados.

ARISTIDES: Vocês tem uma relação boa?

Sim, maravilhosa. Eles dizem: “é um menino doido, aí vai, vai…”         

ARISTIDES: Deixa ela te achar doido.

Deixa ela achar (risos). Eles não ficam me discriminando por conta disso. Eles sabem que eu sou satanista, sabem que eu adoro o Diabo, acham que sou doido e continuamos tomando café. Eles gostam de mim por tantos outros motivos que eles acham isso de alguma coisa sem importância.

ARISTIDES: Eu quero que tu fale agora, de forma retrospectiva, sobre as temáticas que tu explora. Porque tu vai, tu faz referência à cultura pop, da Peppa Pig ao Eduardo Cunha.

Eu acho que tá tudo misturado. Não tem uma temática específica. Ainda mais que gosto das minhas ideias que “vêm assim”, quando eu não tô querendo ter ideia. As ideias são espontâneas. E aí elas vêm de mais variados tipos. Às vezes vêm da política, às vezes vêm da cultura pop, de eu estar assistindo desenho animado, de estar assistindo seriado, de estar aqui fazendo nada. Uma vez fiz só um cachorro cagando e não tive uma ideia para um desenho. Então eu adoro, que ainda não fiz, esse daí tá só anotado.  Então é a cultura pop, a arte sacra, a pornografia homoerótica e também a política, é, e é isso, misturando tudo com religião.

ARISTIDES: Como é que tu consegue, deixa eu organizar aqui essa pergunta, a questão da reação do público, tu já recebeu nota de repúdio da OAB, por exemplo. Como é que tu lida com essa rejeição do público que detona teu trabalho nas redes sociais? Tu entende que o Brasil é um país extremamente conservador e a reação mais natural seria essa.

Eu fiquei um pouco apreensivo com a nota da OAB, ainda mais que eu tive uma consultoria jurídica que não foi legal, não foi eficiente. Eu nem sabia da existência do crime de vilipêndio religioso. Soube disso quando teve a primeira viralização. A pessoa que eu tinha tirado minha dúvida e disse que eu estava cometendo crime… fiquei louco. Mas aí, depois que fui estudar a lei: “ah, bom, não estou cometendo vilipêndio não”. Aí comecei a ficar relax. Estava com medo de ser preso, porque não sabia que existia esse crime de vilipêndio religioso. Aí quando fui estudar mesmo, fui estudar com juristas, assistir vídeos, ler a lei, fui tirar dúvida com outras pessoas, comecei a ficar tranquilo.

O Sagrado Coração da Família (2018).

Grafite sobre papel.

ARISTIDES: E do que se trata vilipêndio religioso?

Acontece em três casos. Se você chegar no meio de um culto religioso, fazendo baderna, típico que os bolsonaristas fizeram lá em Nossa Senhora Aparecida. Tipo os evangélicos chegando no meio do culto de Umbanda também, né? Isso daí é um vilipêndio religioso. É o que eles cometem. É você chegar no meio de um culto. Ou então você fazer um bullying religioso com a pessoa. É você perseguir alguém do seu trabalho, do seu dia-a-dia, porque ela tem religião tal. Ou então, você destruir algum monumento público que tenha valor religioso. Tipo, os evangélicos fazem com uma imagem de Iemanjá, que tem umas oferendas. Quem faz mais vilipêndio religioso são os cristãos. Principalmente com as religiões de matriz africana. Eles não sofrem vilipêndio religioso, muito pouco. Então é isso, é você chegar no espaço do outro. A lei não pune blasfêmia. Você pode criticar a religião que for, do jeito mais debochado possível, do jeito mais agressivo possível, desde que você fale da religião. Você não pode agredir as pessoas que praticam a fé. Uma coisa é você falar mal do cristianismo, outra coisa é você atacar os cristãos. Então você pode atacar as entidades, os símbolos.

ARISTIDES: Adorei o “você pode atacar” (risos).

Atacar que eu falo é criticar, debochar. Desde que você faça isso no seu espaço ou em um espaço neutro. Pode rolar numa universidade, desde que a universidade não seja religiosa, não seja uma universidade católica, desde que seja numa praça, pode ser num espaço neutro, ou no seu espaço. Você não pode chegar no espaço deles. Aí sim, é vilipêndio. E o perfil [do Instragram] é meu. Estou postando no meu. Se estivesse indo para uma página cristã e botando meu desenho lá, poderia ser vilipêndio. Mas é no meu e eles vendo no meu, não é vilipêndio.

ARISTIDES: E qual foi a imagem que viralizou, que deu esse primeiro impacto de apreensão?

Na exposição da Semana de Filosofia, em 2019. A organização tomou todo o cuidado de colocar 18 + como faixa etária para acessar o local. Então tinha o meu autorretrato, Amamentando o Anticristo. Tinha a do Bozo, que é o Bolsonaro vestido de It A Coisa com balão nazista. E o outro era… Ah, Mãe da Pátria.

ARISTIDES: Sinceramente, são as mais lights.

O cara que viu o autorretrato. Dizem que ele ficou louco, disse que era uma blasfêmia, aí começou a fazer um abaixo assinado pra tirar a exposição de lá. Eu nem liguei que a exposição ia ser só uma noite. Saí da palestra com um monte de gente me xingando no meu perfil. O primeiro desenho que saiu meu, de todos os desenhos horríveis que fiz, que eram muito mais ofensivos à religião cristã, o primeiro que foi derrubado foi o do Bolsonaro. Aí você vê quais são as prioridades desses cristãos. Eles se preocupam mais com a imagem do Bolsonaro do que com a imagem das entidades cristãs. Porque tinham um horrível de Maria, tinham um horrível de Nossa Senhora. O que mais quiseram derrubar o primeiro foi o do Bolsonaro.

ARISTIDES: Que não tá nem essas coisas de agressivo. Agora uma coisa, tu é muito livre nas tuas criações, mas se tu fosse categorizar a tua obra, que gênero seria? Tu falou agora em horror ideológico. Teria alguma outra categoria específica?

Me considero surrealista. Erotismo gore não é mais não, era nos primeiros. Era antes de me envolver com arte sacra. Hoje, gosto mais do horror ideológico. Só sente o horror quem tá na ideologia oposta a mim. Quem tá conversando comigo, que é do mesmo campo ideológico meu, não se horroriza, acha engraçado.

Bozo: o Coiso (2018).

Grafite sobre papel.

ARISTIDES: Esse teu enfrentamento com a religião cristã, com as testemunhas de Jeová, vai mais em relação à construção discursiva feita pelos homens ou pela fé?

Acredito tanto que a entidade é podre quanto os que a seguem de forma reacionária. Como eu disse, minha família é cristã, meu namorado é cristão, meus amigos são cristãos, mas me dou bem com o pessoal e do meu trabalho. Todos são cristãos e entendem minha ideia. Todos sabiam que sou satanista, então meu problema é com os reacionários. Se todos os cristãos fossem que nem esses cristãos maravilhosos que eu amo talvez não tivesse tanta raiva do cristianismo.  Eu acho que os cristãos são legais, eles pintam o cristianismo melhor do que ele é, porque se você for ver o cristianismo foi cruel por vários séculos e é só agora que ele ficou mais legalzinho, tá aceitando gay, transexuais, todo mundo e não era assim, só veio ser assim um dia desses. Então acho que a maioria dos cristãos, boa parte dos cristãos são maravilhosos. Acredito que os cristãos, os cristãos maravilhosos, eles adoram um outro Deus.

ARISTIDES: Qual seria?

Não sei. Adoram alguma outra entidade, mas eles não adoram o Deus cristão. Mas que bom que eles acreditam que é essa entidade. Que bom que eles… Como é que eu posso falar? Que bom que eles têm essa leitura mais bacana do cristianismo. Que bom que eles estão reinventando o cristianismo. A entidade cristã é mais barra pesada. Acho que o Deus cristão é aquela coisa horrorosa da bíblia que quer matar todo mundo, que só quer saber de ser louvado o tempo todo, que se você não gostar dele ele vai te mandar pro inferno, tá nem aí se você é uma pessoa maravilhosa. Eu acho que os cristãos reacionários realmente são os cristãos no sentido péssimo, são pessoas do mal, que adoram o mal e pensam que estão adorando o bem. E os cristãos bacanas, que são os cristãos que conheço, acho que eles estão enfeitando essa entidade. Estão dando um tom mais leve.

ARISTIDES: E a arte pra ti, no começo foi hobby e agora virou uma coisa, digamos…

É o cerne da minha vida.  O meu emprego atual foi pensado pra poder ter condições de produzir minha arte sem aquela cobrança de ter que pagar as contas.

ARISTIDES: Aqui em Teresina, tu que sabe disso mil vezes mais que eu, um artista visual tem como ser apenas viver desse ofício?

Se ele se aliar a arquitetura, se ligar à decoração, se se alinhar aos interesses do pessoal, dos compradores de arte que tem dinheiro, às grandes galerias, se atender aos interesses dos grandes compradores. Não é meu caso, eu sou alternativo. Não quero ganhar dinheiro com isso daí. O meu objetivo é ganhar reconhecimento, é poder conversar com o pessoal que admire. O meu maior sonho é esse. Eu vou me sentir realizado enquanto artista quando tiver reconhecimento e começar a andar com o povo que acho massa, quando começar a interagir com eles.  Você pode ganhar muito dinheiro aqui em Teresina com arte, desde que você se atente às exigências das grandes galerias que querem vender para o pessoal que tem dinheiro.

Autorretrato Amamentando o Anticristo (2017).

Grafite sobre papel.

ARISTIDES: Seria o comércio em si. Tem que fazer pra decorar a sala de uma clínica e daquela senhora rica que toma chá a tarde. É uma arte mais contemplativa.

E não tô criticando. Acho que se isso for da pessoa mesmo, essas inspirações, se for uma coisa orgânica, vai seguir que a vida te dá. Tive muita coisa barra pesada que a vida me deu e a minha arte é fruto disso, mas tem gente que teve uma outra vida totalmente diferente e vai produzir coisas totalmente diferentes. Então se isso for dela, for legítimo, que se alinha com as grandes galerias, maravilhoso. Agora não é o meu caso.

ARISTIDES:  Ediberto, pinta uma flor pra gente botar numa clínica?

Eu acho pior, muito pior desenhar coisa que eu não acredito do que não desenhar. Se fosse pra escolher entre um dos dois, iria preferir não desenhar pelo resto da minha vida do que ficar só fazendo coisas que não tem nada a ver comigo. Então, não.

ARISTIDES: Não topa? Pintar um vaso, umas plantas…

Eu também não tenho só ideia barra pesada. Eu poderia no máximo pegar minhas ideias que são mais neutras e botar pra esse lugar. E se gostarem, sim. Mas não ter que me dobrar pra poder fazer uma arte que eu não acredito.

ARISTIDES: Se tu tivesse num tribunal da Inquisição, dos nossos tempos modernos, com uma porrada de cristão e o juiz te desse um momento pra tu se defender dessas pessoas. Olha, agora você tá sendo julgado pela sua arte e você tem alguns minutos pra se defender. O que é que você diria?

Eu ia dizer que eu aceitei Jesus Cristo todo meu coração, que estava super arrependido e que iria mudar. A pena é de morte?

ARISTIDES: Não sabemos ainda, o júri está decidindo.

Vamos dizer que seja morte, né? Tortura. Eles gostam muito de morte e tortura. Todo país fundamentalista religioso é morte e tortura. Eu ia dizer que aceitei Jesus de todo o meu coração, que iria mudar. Por dentro iria continuar sendo satanista e iria fazer tudo escondido.

ARISTIDES: Agora é ter cuidado pra não ser pego…

É. E bora ver se os crentes não dominam tudo. Ainda bem que foi atrasado aquele negócio da previsão do Censo, que dizia que em 2032 os evangélicos iriam superar os católicos. Tinha planejando sair do país, mas agora a projeção é pra 2050. Deu uma freada no crescimento do evangélico.

ARISTIDES: É verdade, não precisa mais nem se preocupar tanto. E daqui pra lá o mundo acabou.

Conheça as obras aqui: https://edilbertosobrinho.com/

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