Inmensa Editorial & Coleção Infame Ruído

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Localizada em Montes Claros, em Minas Gerais, a Inmensa Editorial foi fundada por Anelito de Oliveira, que também é seu diretor-presidente. A editora trabalha com design gráfico, edição e impressão de produtos editoriais, especialmente livros de caráter científico, resultantes de pesquisa acadêmica, revistas acadêmicas e publicações institucionais de um modo geral. Trata-se de uma extensão da multifuncional INMENSA REALIZAÇÕES CULTURAIS MIDIÁTICAS E EDUCACIONAIS LTDA, nascida em Belo Horizonte em 2003 e sediada em Montes Claros, norte de Minas Gerais, desde 2004. Contato com a editora deve ser feito através do e-mail [email protected]. Integrando um catálogo merecedor de todos os elogios, a Inmensa Editorial criou também a Coleção Infame Ruído, como primeira grande ação cultural da Revista Sphera Habitações do Encantado. Trata-se de projeto que nasceu das relações proporcionadas por este periódico, fundado em 2021 em meio ao terror pandêmico, em escalas nacional e internacional. O propósito da Coleção, em sintonia com este periódico, é agregar autores que desenvolvem seu trabalho responsavelmente às margens dos circuitos hegemônicos, na contramão do grande capital. A Coleção é item estruturante do projeto “Terceira Feira: encontro de literaturas das margens do mundo”, cuja primeira edição aconteceu em Diamantina, cidade-patrimônio da humanidade situada no Vale do Jequitinhonha, no grande sertão geraizeiro, região que, no mapa oficial do Brasil, país das contradições cordiais de base colonialista, integra o Estado de Minas Gerais. A Coleção se destina prioritariamente a uma causa premente: formar leitores em escolas públicas de cidades com menor índice de desenvolvimento humano (IDH) de MG e, deste modo, contribuir para mudar a realidade objetiva, atravessada pela pobreza, de milhões de pessoas historicamente abandonadas à própria sorte. Infame Ruído propõe o livro como ferramenta de transformação social. Além de autores, a Coleção conta com vozes dos países africanos de língua oficial portuguesa, que são: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, e mais recentemente ampliou seu catálogo para a América Hispânica. O poeta Floriano Martins selecionou, traduziu e prefaciou livros do salvadorenho Francisco Gavidia, a boliviana Hilda Mundy e o nicaraguense Joaquin Pasos. Autores já presentes em nosso Atlas Lírico da América Hispânica, também ele sob a coordenação geral de Floriano Martins, deixamos aqui uma informação básica sobre cada um desses poetas de imenso destaque na tradição lírica de seus países.

FRANCISCO GAVIDIA (El Salvador, 1863-1955). Escritor do período romântico, considerado pela crítica o primeiro grande escritor de El Salvador. Ele se destacou na poesia, mas também foi, segundo Rubén Darío, o melhor dramaturgo do século XIX na região da América Central. Leitor e tradutor de poetas franceses, ensinou a seu grande amigo, Rubén Darío, o alexandrino que deu aos seus versos um som distinto e único. Darío espalhou esse estilo por todo o solo castelhano, e o mencionou em sua Autobiografia, considerando que foi, em suas próprias palavras, quem lhe deu a oportunidade de se aventurar na floresta das letras francesas. Ele era um estudioso da história americana. Escreveu poesia, ensaios, história, crítica e contos, além de ser tradutor de vários idiomas e um incansável divulgador cultural. Entre suas obras, destacam-se: poesia: Versos (1885), La princesa Catalá (1944); Sóteer o La tierra de Preseas (1949); teatro: Ursino (1886), Júpiter (1889) e La torre de marfil (1920); estudos: Historia moderna de El Salvador (1917); narrativa: Cuentos y narraciones (1931).

HILDA MUNDY (Bolívia, 1912-1980), pseudónimo utilizado por Laura Villanueva Rocabado, foi uma escritora, poeta e jornalista rebelde. Mulher de vanguarda da literatura boliviana que escreveu de forma anônima dada a restrição e discriminação às mulheres no âmbito da escritura e o jornalismo. Seus textos, nos gêneros em que os expressou, convergem para o ambiente de uma prosa poética. Talvez tenha sido a voz mais consistente e inovadora no que diz respeito a essa consciência de como recepcionar a entrada das vanguardas no país e a presença da guerra. E sua percepção de tudo isto, ao que se deve acrescer a sua condição de mulher em uma sociedade patriarcal, em seu íntimo lhe disse: o humor, o sarcasmo, a sátira, não haverá outro modo de, com um só disparo, vencer essas forças inimigas.

JOAQUIN PASOS (Nicarágua, 1914-1947). Começou a escrever poesia quando era muito jovem. Em 1929, com apenas 16 anos, ingressou no grupo “Movimento de Vanguarda”, que incluía, entre outros, José Coronel Urtecho, Pablo Antonio Cuadra, Manolo Cuadra e Luis Alberto Cabrales. Joaquín Pasos é o membro mais jovem do grupo e defende a tendência conhecida como Anti-Parnaso devido à luta decisiva contra as formas parnasianas predominantes na literatura nicaraguense da época. Colaborou em diversas publicações ligadas à vanguarda literária, como o jornal La Reacción e a revista humorística Los Lunes, onde alcançou notável popularidade. Em 1939 escreveu uma peça intitulada Chinfonía burguesa com José Coronel Urtecho. Sua morte causou grande comoção na literatura nicaraguense. No mesmo ano foi publicada uma antologia de sua obra intitulada Breve Suma. Em 1962, Ernesto Cardenal produziu uma nova antologia mais completa intitulada Poemas de um jovem. Seu poema Canto de guerra de las cosas é considerado o mais importante de sua produção.

Boas-vindas à Coleção Infame Ruído e ao brilhante trabalho editorial da Inmensa Editorial, assim como à revista Sphera, é o que desejam os editores da revista Acrobata.

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