Curadoria e Tradução de Gladys Mendía
Álvaro Inostroza Bidart. Poeta, crítico de cinema e jornalista. Nasceu em Santiago do Chile em 1960; mas vive em Concón, no extremo norte da baía de Valparaíso há 36 anos. Tem 12 livros de poemas publicados: Patio de Luz (1985), Tendido (en) Público (1996), Señales de Vida (1998), Días de Fiesta (2004), Hablar de Memoria (2010), El Genio de la Casa (2014), Zona de Extinción (2016), Caja Negra, antologia pessoal (2016), La Casa que nos Habita (2017) coescrito com a poeta mexicana Sihara Nuño, Hasta que Valga la Pena Vivir (2020), La Suerte No Está Echada, antologia crítica (2024) e Canción del Viento (2024). Além disso, foi publicado em diversas antologias. Entre elas, Uno x Uno. Nueve Poetas Jóvenes (1979), Anuario del Primer Encuentro de Arte Joven (1979), Antología de la Poesía Chilena. Generación del ‘80 (2013) e Fuego Cruzado. Antología épica (2020). Sua poesia foi traduzida para o inglês e árabe; e foi publicada, além de seu país, na Espanha, Estados Unidos, Colômbia, Cuba, Jordânia, Costa Rica, El Salvador, México, Porto Rico e Argentina, entre outros.
PALAVRAS ATÔNITAS
pedras quentes
queimarão minhas mãos
e o frio celeste
fechará minha boca
as palavras atônitas
se juntarão na porta da casa
esperando convite
para o baile de máscaras
a verdade é mais forte
que o esquecimento
a tristeza é um espelho
do amor profundo e puro
como as pedras do caminho
que viram tantas vezes
a passagem das bestas
dos anjos convidados
para o banquete crepuscular
da noite inevitável
DESPEDIDA
o caixão e o nicho são a morte
o sono sem retorno
o pesadelo perpétuo
as vontades de viver se acabarão
pedirás permissão para te retirar
te despedirás dos que chegarem
ao teu sofá preferido
à tua mesa servida
à tua cama convalescente
já não terás medo de dormir
nem de estar só no caminho
não estarás triste pela partida
serás uma razão para que tua alma viva
apertar tuas mãos
te abraçar forte
esconder o pranto
dormir cansado
descansar em paz
calma transitória antes de zarpar
ERVA NO CAMINHO
o ofício de poeta
é uma erva no caminho
trovador que ninguém pensa
que se faz respeitar
na palavra viva
comprometida com a linguagem
com o mistério
com o sentido da vida
o poema já não é canção
é devaneio impenitente
mais perto da morte
que da glória incerta
a erva de nome estranho
é uma simulação
um amargor doce
sobre a terra fria
que quis te ter
mas que só te viu partir
montada alegre
na canção do vento


