Dois jovens poetas, ambos nascidos no Rio de Janeiro, mas vivendo em cidades distantes, encontram na escrita conjunta de poemas uma forma de vencer o abismo entre eles. Mas o que pode a poesia diante do abismo em que um amigo desaba para dentro de si? Na trama poética de a quatro mãos, de Roy David Frankel e Yasmin Nigri, cada palavra pode ser um passo em falso, mas é uma tentativa de resgate.
São quatro mãos, sim, mas na superfície dos poemas é sempre muito sutil o jogo entre as duas vozes: “eu brincando de você/ você brincando de mim”. Apenas uma ou outra palavra denuncia o gênero, então sabemos que a voz vem de um ou de outra, de Berlim ou de Haifa, da sombra ou da luz. Se “a doença”, alguém diz, “arrasta pelos rumos errados”, vem a “palavra amiga” de longe, mas sempre por perto, dizer: “troca essa lente, percebe?/ você é mais do que essa imagem baça/ mais do que esses contornos disformes/ rugido impenetrável da ausência/ em que se misturam figura e fundo”.
Há um desejo compartilhado de reconstrução, um empenho para escapar do lado mais sombrio dos dias: “o que eu queria/ na minha cabeça/ era outra cabeça”. E o que se afirma nesse gesto de escrever junto (em direção ao outro, em busca do outro), em que escrita e escuta se abraçam, é que apenas com o outro, multiplicando nossas mãos e nossa voz, podemos “recozer o barro, refazer a peça/ um dia chamada coração”.
Sobre os autores:
Roy David Frankel nasceu no Rio de Janeiro em 1987, onde vive atualmente, após passar uma longa temporada em Berlim. É poeta, autor de Sessão (Luna Parque, 2017) e Fractal (Edição do autor, 2019). Formado em engenharia e letras, é mestre em políticas públicas pela Hertie School e doutor em letras pela ufrj.
Yasmin Nigri nasceu no Rio de Janeiro em 1990 e hoje mora na cidade de Haifa, em Israel. É doutora em filosofia pela puc-Rio e publicou o livro de poemas Bigornas (Editora 34, 2018).
Por dentro da capa:
Brincar no chão com pedaços do céu: é assim que a poeta e artista plástica Julia Bac, munida de dois pequenos espelhos, nos convida a pensar sobre distâncias, deslocamentos, impermanências. Ela tem em suas mãos, por um instante, pedaços vivos do céu, como apenas os espelhos são capazes de pegar — e largar — tão instantaneamente. E maneja essas janelas para ver e mostrar o que há do outro lado, no outro sentido. Como se os espelhos fossem capazes de abrir um buraco no chão, não em direção ao centro da terra, mas apontando algo entre as nuvens, para além delas. Reverso do reverso. Ou seria uma forma de nos revelar, através do espelho, o quanto de céu há no chão e vice-versa? O fato é que reparar no que as nuvens escrevem em volta dos nossos pés, ao alcance das nossas mãos, pode levar nossa cabeça para outras dimensões: aqui mesmo, logo ali, além.
Ficha Técnica
Título: a quatro mãos
Autores: Roy David Frankel e Yasmin Nigri
Formato: 13,5 x 20 cm
Número de páginas: 40
ISBN: 978-65-6139-086-6
ISBN e-book: 978-65-6139-087-3
Preço da plaquete: R$ 47,90 (e-book R$ 33,50)
Envio da caixa para assinantes: setembro
Data de livraria: 01/10/2025
Editora: Círculo de Poemas


