Miséria: 10 anos fortalecendo o underground em Teresina

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Na foto: Ilgner William (guitarra), Gustavo Paz (baixo) e Eduardo Djow (vocal).

Entrevista realizada por Aristides Oliveira

Conheci Eduardo Djow quando dei início ao projeto Vozes do Punk, há seis anos atrás. Ele, de entrevistado virou meu parceiro e conseguimos fazer um mapeamento muito interessante sobre alguns nomes relevantes que fazem e fizeram a história da cena nas últimas quase quarto décadas.

Djow é vocalista da banda Miséria, que segue a jornada pela cidade desde 2015 em busca de fazer um punk rock agressivo, sem filtros e respirando o underground na sua essência. Nossa conversa rolou no Kina Viva Bikes, no Centro de Teresina e o papo contou com a participação do Gustavo Paz (baixista) e Ilgner Wiliiam (guitarra). Conversamos sobre a história da banda, como fazer música anti-sistema e a velha problemática da falta de espaço para bandas punk fazerem shows na província.

DJOW: Tudo começou através de mim. Tipo, eu tinha uma banda chamada RG-00 (Djow participou da banda entre 2014-2016). E essa banda tava dando muito trabalho. Sempre mudando de músicos direto e aí não tava dando certo. Toda mês era um músico diferente. Resolvi abandonar a banda RG-00 e fiquei uns tempos parado, sem tocar. Aí parei cara. Eu não vou mais tocar na banda dos outros.  Aí eu peguei e disse: “vou formar uma banda minha mesmo” Comecei a escrever músicas, quatro músicas, aí chamei o Alex: “Alex, eu tô com quatro letras aqui, bora fazer essas músicas pra gente gravar?” Passei as letras e ele fez a harmonia e as músicas. Não tinha nome da banda ainda. Procurei o nome da banda e escutei aquela música do Titãs, que fala: “miséria, miséria, de qualquer canto”. E eu estava procurando uma música que fizesse esse nome. Botei o nome da banda Miséria.

A gente foi lá no Buxada Records que estava lançando um monte de bandas alternativas. Bandas punk. Aí a gente gravou lá. Lançamos quatro músicas que se chamava Medo, Violência e Miséria. Nisso eu voltei pro RG de novo, lançamos isso aí, o CDzinho, voltei pro RG, né? Quando voltei pro RG, a gente já fez uns 3, 4 shows, aí deu outro problema de músicos saindo da banda e mudando, sempre tem esse problema.

Saí do RG de novo. Aí falei: “Alex, bora voltar ao Miséria”. Alex: “não, pô, tô com três bandas, não dá certo não”. Chamei outros caras pra tocar e deu certo. A gente fez um show, que foi o Piauí. Punk, foi o primeiro show, né? Piauí Punk Festival. De lá pra cá a gente nunca mais parou. Mudou de integrante várias vezes.

Estamos praticamente 10 anos sem parar, tá vendo?

ARISTIDES: E vocês, falem um pouco de como é que vocês chegaram na banda, como foi que o Djow abordou vocês pra convidar e fazer parte do projeto.

GUSTAVO: Entrei agora por último, no ano passado. Tava sem baixista já. Foi porque o baterista que tinha saído, o Alex, ele agora toca bateria. O Ilgner, que era baixista, foi pra guitarra, ficou sem baixo e eu entrei agora por último na banda.

ILGNER: Entrei em 2020 a convite do Djow. Fiquei surpreendido com a mensagem dele, convidando para ser guitarrista. Comecei como guitarrista, mas depois fui para o baixo, porque o Alex entrou de volta. E como ele já era guitarrista antigamente, ele já tinha mais conhecimento da banda. E aí fui para o baixo. Ficou o Alex na guitarra e eu no baixo. E o baterista também, que eu esqueci.

DJOW: Era o Thales…

ILGNER: Depois teve a reformulação da banda, que o baterista saiu, como o Gustavo falou. O Alex foi pra bateria, eu pra guitarra e o Carlinhos foi pro baixo.

ARISTIDES: E tu falou agora, Djow, dessa questão de falta de espaço, né? Como é que vocês avaliam essa questão?

A gente do Miséria aqui, é raro a gente fazer show, porque aqui não tem mais espaço pra tocar. Tinha o DCar, mas fechou. Aí ficou o CCC [Centro Cultural do Cebtro], mas o CCC tem muito evento. E é muito raro a gente encaixar um show de punk lá. A gente faz nossos próprios eventos.

E sempre que a gente faz evento, lógico, tem que dar Miséria. Temos  dificuldade de tocar com bandas que vêm de fora porque a gente não tem muita estrutura. Somos uma banda underground mesmo, não temos muita estrutura pra tocar com essas bandas. Felizmente conseguimos abrir pro show do Ratos de Porão recentemente.

A gente pretende sair para São Luis, Fortaleza, Parnaíba, mas não temos dinheiro para viajar e tudo. E o Alex está doente. Quando ele melhorar, eu vou juntar uma grana aí para a gente viajar.

Show no Kina Viva Bikes, um dos poucos espaços que ainda restam para tocar na cidade.

ARISTIDES: Como é que vocês estão fazendo pra tocar aqui, já que é tão difícil? Como é que é a logística pra vocês se organizarem pra tocar com essa dificuldade toda?

GUSTAVO: O Djow Joe tem uma quantidade massa de equipamento.
É um cara já idoso (risos) que nós temos na banda, que vem gastando apenas o seu dinheiro com equipamentos eletrônicos de som.

A gente fica acumulando equipamento de som pra botar o estúdio do Piauí Punk, aqui na Galeria República das Baratas, que é o espaço aqui da oficina. A ideia é botar o estúdio do Piauí Punk. A gente faz evento por conta própria. E aí toca Miséria e as bandas que são meio que o público que já vem. É a banda da galera do nosso rolê, né?

ILGNER: Uma rede de apoio.

DJOW: E é assim, é tipo uma cooperativa, tá ligado? É um showbiz de cooperativa. Cada um vem com uma coisa pra fazer. Tem vezes que tá faltando um instrumento aqui, o cara pega a moto e vai buscar na casa dele, no Mocambinho, Renascença. Vai buscar pra gente conseguir fazer estrutura de som aqui na frente. Pra gente colocar e tocar.

É tudo “faça você mesmo”. E a gente nunca precisou de lei Rouanet, de porra de prefeitura, de governo, a gente faz lá mesmo, sem precisar de serviço de acesso.

GUSTAVO: A gente não consegue entrar nas panelinhas.

DJOW: Eu quero a distância dessas coisas aí. A partir do momento que a gente precisa dessa porra, a gente não pode criticar isso.

ARISTIDES: Por que você tá negando esses apoios? Isso aí é um direito do cidadão.

DJOW: Cara, porque eu critico muito o governo, critico muito o sistema, e não quero precisar do sistema pra poder sobreviver, tipo, a banda sobreviver pelo sistema. A gente é antissistema e vai por outro caminho.

Alinhando o som para abertura do show do Ratos de Porão, no Bueiro do Rock.

GUSTAVO: Tem o lance de como complicado é, né? Pra pessoa conseguir entrar. Pelo menos aqui em Teresina é foda, né, mano? A gente vê que a galera que consegue alcançar esse espaço na panela geralmente tá chutando pra fora o pessoal que quer subir no barco também. Aqui acontece isso, né? Aí é foda, tipo assim, o cara ficar  batendo cabeça toda vida pra tá entrando nos edital pra tocar em alguns eventos, tá ligado? Tipo, não vou citar nomes também, mas… que no final a banda não consegue entrar e aí você vai vendo no dia tá a mesma banda do ano passado, e do ano passado, e do ano passado, e do ano passado…
Sempre igual.

DJOW: A gente não quer fazer parte dessa panelinha. Nós somos o underground mesmo.

Não é a toa que o nome da banda é Miséria, nós somos a Miséria.

ARISTIDES: E sobre as composições que tu fez, andou fazendo, tu já fez atualmente, somando, tu já tem quantas composições?

Cara, eu tenho muita letra, tenho um caderno lotado de letra, mas as que eu usei no Miséria, acho que não foi 15 músicas. Tenho um caderno de letra, de repente eu até fazia um livro com ela.

ARISTIDES: E quais são os temas que você tem abordado, pensando o contexto que a gente tá vivendo?

Os temas atuais, né? Tipo esse governo maldito do Bolsonaro? Na pandemia, matou muita gente. E que continua aí, acabando com o Brasil, fazendo o filho dele lá, fazendo aquela merda lá pra destruir o governo do Lula, tem que matar muita gente. Ele disse até que a gente vai comer cachorro, pra sobreviver. Ele disse que quando acontecer isso ele vai ser feliz. A gente fala disso aí, entendeu?

A gente fala contra o sistema policial, contra o sistema político, contra o sistema das igrejas, tudo que for de ruim, a gente critica, fala, entendeu? A gente não tem papa na língua, a gente fala mesmo. A gente fala de todas as instituições malditas, que nem a polícia, a igreja, tudo. Tudo de ruim nesse mundo que divide as pessoas e que faz a gente ficar mais atrasado.

ARISTIDES: Na tua formação, tu teve alguma… tipo assim, tua família foi muito rigorosa contigo? Teve alguma experiência que refletiu no lugar que tu tá hoje como punk?

DJOW: Cara, sim, sim. Tipo meu pai. Ele era muito ignorante, mas era um cara de boa, ele trabalhava no pesado pra sustentar 11 filhos. Ele era muito brutão e ignorante. A mãe era dona de casa, ficava só em casa. E sempre me reprimindo: “rock é coisa de drogado, maconheiro, tem que deixar de ouvir essas coisas”. Ficava me criticando: “vou quebrar seu disco aí”.

Uma vez ele disse que tinha quebrado meu disco e escondeu, eu fugi de casa, passei dois dias fora. Eu já tinha fugido de casa, já passava todo dia dormindo na rua, porque  disse que tinha quebrado os meus vinil.

ARISTIDES: Na adolescência?

DJOW: Tinha uns 17, 18 anos já. Sempre ficava na rua, fugia de casa. Nunca quis saber de… eu nunca fui um bom aluno na escola. Com 10 anos de idade, fui chamado, a minha mãe foi chamada, porque disse que eu tinha um pacto com o demônio, porque ficava desenhando caveira nas carteiras lá, ficava desenhando e escrevendo coisas satânicas lá nas carteiras, que eu era doido. Minha mãe chegava lá: “não, meu filho… meu filho é roqueiro”. E o pessoal sabe lá que era rock, né, com as pessoas antigas lá, mas eu já fazia isso com 10 anos de idade.

Acho que eu já nasci curtindo rock.  Porque minha lembrança vem lá de 80, 82, eu tinha 6, 7 anos. Eu lembro das músicas que faziam sucesso naquela época. New Wave, lembro da Blitz. Só que eu vim curtir rock pesado mesmo. Ratos de Porão, que é uma banda que eu sou fissurado,  conheci em 89.

Na minha rua tinha um cara, o nome dele era Juarez. Eu tinha 10 anos, ele tinha uns 13, 14. E o bicho gostava de Iron Maiden. Se ele ganhava um vinil, eu era pequeno, tinha uns 10, 11 anos, ele me chamava na presença daquele vinil: “olha, esse aqui” e botava lá pra eu ouvir. Eu nunca tinha me encaixado assim no estilo, né? Eu ouvi de tudo.

Fui atrás do Léo Punk e ele me apresentou as fitas que ele tinha gravado e os vinil lá e tudo, Aí comecei a aprofundar mais no punk e já formava a banda imaginária na minha cabeça. Em 90 ficava falando que eu vou formar uma banda e tal. Em 95 que eu participei da primeira banda, chamada Dilúvio. Durou de 95 a 99.

Passei um bocado de tempo sem banda aí e já voltei com Abortus em 2000. Fiz um monte de show. E durou de 2000 a 2005, parou. Passei muito tempo sem tocar e foi aí que entrei na RG-00.

ARISTIDES: A história do punk na cidade se confunde contigo.

Gustavo, fala um pouco dessas tuas referências. Como foi que tu chegou ao Punk?

GUSTAVO: Mano fui morar em Fortaleza com o meu pai. Não conhecia a galera em Teresina. Quando morava aqui, eu era tipo filhinho de mamãe mesmo, né?  Em Fortaleza conheci uma galera e fiz uns rolês por lá. Quando voltei pra Teresina em 2015 conheci um pessoal daqui pelo Facebook e tal.

ARISTIDES: Tu não é daqui?

GUSTAVO: Eu sou daqui, mas morei em Fortaleza.

Acho que no tempo o Miséria não tava tocando, não lembro. Eu vi uns shows do RG-00 também nesse tempo.

Cresci ouvindo rock, meu pai é rockeiro, minha mãe, todo mundo da família. Conheci o punk na fase da adolescência, com 15 anos de idade. Fui me identificando com o gênero, com a proposta do gênero. Conheci bandas. Em 2017 conheci a galera do Banheiro de Rodoviaria. Fui falando com os caras nos ensaios e fui depois em show, e aí fui me introduzindo na cena e tô aqui até hoje.

ARISTIDES: Eu quero que tu fale sobre essa questão do anti-sistema. Como é que essa tua compreensão, a compreensão da banda de uma forma geral, como é que isso reflete na música e na postura de vocês no dia a dia?

DJOW: Pra lançar um CD, tiro do meu bolso, vou lá no Caverna Produções, gravo oito músicas, pronto. Faço a capinha e tal, inclusive vou lançar agora, esse mês aqui, o CD Desgraça Total. Sem precisar e pensar no sistema dessas gravadoras, sem precisar ficar, tipo, com essa de lei, de dinheiro pra poder financiar a banda. Eu mesmo financio a banda, a galera também, né? A gente mesmo faz as coisas sem precisar do governo, sem precisar de prefeitura, sem precisar de nada.

E aí o cara fala assim: “ah, mas é direito seu, você ir atrás”. É direito, é direito, é, mas eles roubam, cara. A gente vai passar a vida toda atrás de um dinheiro que é nosso, sabendo que não vai receber, que eles vão comer o dinheiro. Eles comem o dinheiro, eles botam 3, 4, 5 bandas e o resto é pra eles. A gente não vai ficar se matando, fazendo edital aí pra poder participar dessas coisas não. A gente faz só o que der pra fazer mesmo e tudo na base do underground mesmo.

DJOW: Tem, cara, tem.

Quando lancei a banda, a nossa proposta era só falar o que pensamos. Gritar, dizer o que tá errado e o que tá certo. Sem esse lance de fama, de sucesso. Sem pensar que a banda vai ser famosa, que nós vamos ser famosos, que vai fazer sucesso. Não, pelo contrário. A gente é contra isso em tudo, tá ligado? Sempre costumo dizer que atrás da fama vem a lama. Quando você começa a ser famoso vão inverter a sua vida, vão atrás de tudo que tu já fez pra poder te queimar, pra poder te cancelar, tá ligado? Prefiro fazer a música pra galera que já gosta. Não pra massa, entendeu?

GUSTAVO: A forma como as coisas acontecem aqui é o que sufoca as bandas.  Várias bandas que tinham massa aqui já sumiram por isso, né? Por essa falta de espaço. Acredito que todo mundo tava tentando também uma vez pra tocar em algum evento desse que precisa de edital ou pra lançar algum projeto legal pra tirar grana pra gravar alguma coisa e tal. O que seria do punk se não fosse essas mídias alternativas que a gente sempre, tipo, chegou até aqui assim, né? A gente tem que aproveitar, tipo, rede social, fazer uso também dessas plataformas aí do governo, tá? Tipo, pra conseguir entrar em algum edital e tudo mais, mas aí também não pode esquecer de fazer o corre por conta própria. Divulgar os eventos por conta própria, juntar a grana do bolso mesmo do trampo e pagar o som pra poder fazer o evento. Enfim, a gente corre assim, né mano? O melhor seria a gente estar recebendo também. A gente não é contra estar lá e receber, na verdade. A gente é contra a humilhação que tem que fazer pra poder chegar lá, entendeu? É mais isso.

ARISTIDES: Eu me lembro que nos anos 2000, o João Gordo foi muito criticado porque ele começou a fazer propagandas de marcas multinacionais, entrou na MTV, que é um canal muito pop, ligado à indústria e  hoje ele é um cara com a carreira consolidada, a banda viaja o mundo todo. O fato do João se enquadrar no sistema foi bom pra ele.

DJOW: Sim, pra ele foi, ele tava numa fase difícil, entendeu? Inclusive, ele disse que só tem a casa dele por causa da MTV, né? Ganhou muito dinheiro e conseguiu comprar a casa dele. E aí ele tava praticamente usando o sistema a mão dele, né cara? Pra se manter vivo, porque ele teve… no tempo que ele casou, teve os filhos, né? Ele precisou fazer isso mais pelos filhos. Se não fosse pra viver com os filhos, ele tava morto. Então ele teve que não se entregar ao sistema, mas ele teve que… Precisa aproveitar um pouco do sistema, entendeu? Tipo, MTV, ele diz que não se arrepende não, porque ele ganhou dinheiro, entendeu? Propaganda que ele fez de carro e tudo, os caras chamaram ele de traidor do movimento e tudo, mas ele tava ganhando o dele, pra não passar fome, porque ele disse que o negócio tava difícil. E pra quem é pai, quem tem família, sabe que praticamente, ele mandou todo mundo se foder, quem fosse falar mal dele, que ele tava ganhando dinheiro com ele. Só que hoje ele tem outros meios de ganhar. Ele tem vários projetos, continuando o Rato, tem aquele Panelaçoe  outras formas de ganhar dinheiro sem estar dentro das TVs.

Jão (Ratos de Porão) e Djow (Miséria).

ARISTIDES: Em Teresina, vocês tem parcerias com outras bandas? Como é que vocês se articulam para fazer os shows e convidar essas bandas?

DJOW: A gente tem proximidade com o Obtus, nos inspiramos neles. O Chakal [vocalista] sempre me liga quando tem alguma novidade. A gente gosta muito do Cianeto HC, que é do Heitor [vocalista]. O Kandover tá voltando. A gente tinha parceria com o Banheiro de Rodoviária, com a Escrotos, praticamente com todas as bandas underground Teresina

ARISTIDES: E pra finalizar, quais são os planos de vocês daqui pra frente? O que vocês tão tramando aí?

O plano agora é sair o CD e fazer videoclipe. A gente quer tocar fora de Teresina. seja em Parnaíba, São Luís, Fortaleza ou Pará. Tenho vários contatos que me chamam, mas a gente não tem grana pra viajar. Tô esperando só lançar o CD agora e o Alex melhorar pra eu voltar, conversar com o cara, pra ver se a gente viaja com a banda aí pra fora.

CD novo chegando…

GUSTAVO: Ah, eu queria dizer, velho, pra galera sentir vontade de… É difícil, né, na verdade, como é que faz pra galera sentir vontade de novo de botar a banda, mano? As bandas estão sumindo, cara. Tá todo mundo desaparecendo do cenário. Mas é complicado também, né? Eu acho que é tipo um impasse mesmo, porque o pessoal tá se afastando mesmo. Coisa da vida, isso já aconteceu antes e vai acontecer de novo. Não tem tantas novas galeras aparecendo pra ficar no lugar de quem tá indo embora, mano. Não sei, eu sinto isso. Tipo, que o bagulho tá desaparecendo, sabe? Por falta de espaço e tal. Que a galera pudessem estar… Sei lá, sentindo vontade de fazer banda ou de estar produzindo alguma coisa, algum espaço onde a banda pudesse tocar também. Se você faz parte do rolê, se interessa, mano. Está em suas mãos literalmente.

DJOW: Hoje a única banda punk em Teresina é o Miséria.

ARISTIDES: Não tem outra banda punk aqui?

DJOW:Porque os caras estão casados, pai de família, não querem mais tocar. Estão morando fora. E o sobrevivente aqui é nós mesmo. Eu sempre digo isso no show, somos a única banda punk em teresina, e foda-se quem disser o contrário.

1 comentário em “Miséria: 10 anos fortalecendo o underground em Teresina”

  1. Primeiro: se tá na Acrobata é verdade!

    A KANDOVER tá voltando.

    Segundo, parabenizar o Aristides pelo trabalho!

    Terceiro é reconhecer o trampo do Miséria e do Djow em levar, não deixar morrer.
    Talvez a galera esteja sentindo falta do DCar, que facilitava muito os rolês.

    As coisas vão acontecendo.

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