COLETIVO CAÇA – VERBO E OBJETO

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Por João Wilker

A caça é o movimento inevitável de quem procura. A gente caça o que perdeu, caça sarna pra se coçar, caça pelo em ovo. A gente caça. Busca. Segue. Cria. Acha?

O Coletivo Caça – Caça o que? A poesia piauiense às vezes parece presa em blocos. Parece prestigiosa. Parece, mas aparece? Onde está a poesia? Onde estão os versos em nossas paredes, em nossos livros, em nossos ditados populares e papéis de parede? Onde estão os versos que falam com a alma?
 
A poesia é a que existe em tudo. Rima na tinta, rima na casa, rima na pesquisa. A poesia é a covalente da arte. Escrever é escrever teatro, dança, pintura, tese, artigo, reportagem, relatório, diário, pixação, letra e partitura, ensaio e descrição. A poesia está na felicidade e na raiva.

A raiva daquilo que não podemos combater só sai em forma de arte e de desespero. Não há porque desesperar-te. Sempre acaba em arte, porque toda cultura é um desespero.
 
Por isso se deve escrever com a raiva, com a fé, com os palanques públicos em mente. A poesia deve ocupar os mesmos espaços que os números. Deve dizer as mesmas verdades, deve cantar o canto dos oprimidos. A poesia-caça.

Por isso, caça conversa. Poesia, tua, vai lá e enche o saco. Cutuca a onça com a vara curta. Escreve poesia, pinta, esculpe, dança  poesia, sobre o que afeta aqueles que não tem voz ou não sabem escrever. Aqueles que têm medo de falar, mesmo que compartilhe dos seus medos. Caça!

Por isso o verbo – Caça. A gente caça o veado e o come e fica mais forte. Acha o problema, ache o poema. Eles são primos. Rasga teus versos no papel e canta eles em voz alta. Alguém vai ouvir!
 
Por isso o objeto – Caça. O veado é caçado por quem é mais forte. Na nossa voz há versos e há dores. Somos os alvos fáceis. Negros, mulheres, gays, trans, indígenas, quilombolas. – Somos o público. A universidade pública é a nossa toca – é daqui que aprendemos a caçar! Vendo a pátria pedir por liberdade, o primeiro que luta é o Piauí!
 
A Arte é a publicação. É chegar aos olhos do povo. Mudar o povo, mudar aos poucos. Arte é multiplicar. É polivaler. É policentral. É Política.  Por isso é que se deve escrever – pintar, dançar, tocar, esculpir, cantar, construir, gravar, fotografar, recortar, pesquisar, publicar, publicar, publicar. Porque é nessa esfera que se realiza a arte: o público. Levanta. Olha o mundo nos olhos e tem a coragem de redigi-lo. De expô-lo a si mesmo. Cria, publica, mobiliza,

e mais importante, e mais relevante: CAÇA!
 
 
CONCLUSIVO:


O Coletivo Caça é uma proposta de organização de poetas, poetisas e outras personalidades culturais que, primariamente, estudam na Universidade Federal do Piauí, e, por consequência disso, preocupam-se com as particularidades políticas do Brasil, do Piauí e da Universidade. Aqui, procuraremos organização no debate de assuntos e especialmente promoveremos a criação, politização e publicação de poemas, contos e variadas mais artes de autoria Piauiense, com base no respeito às diferenças, na escuta e na leitura do outro. Aberto à participação de contribuidores externos, o coletivo se concentra na fomentação da produção cultural piauiense e brasileira, por um futuro melhor e mais justo.




João Wilker da Fonseca Marques, natural de Teresina PI e residente de Timon MA, é estudante de Letras na Universidade Federal do Piauí, contribuinte em diversas antologias poéticas e com textos de conto e devaneios no Geleia Total, Revista Acrobata, e no acervo do Museu da Imagem e do Som de Teresina. 

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