A Revista Acrobata irá lançar um bombardeio de textos que cobrem várias fases da produção intelectual do pensador famigerado Jomard Muniz de Britto (JMB), sobrevivente da Bossa Nova e Tropicalistas de todas as eras.
Com curadoria de Aristides Oliveira, iremos conhecer (sem ordem temporal definida…) o pensamento que ultrapassa qualquer tentativa de categorização histórica, pois JMB entra e sai, percorre por dentro e por fora da contemporaneidade.
RECORTES & BRICOLAGENS entre o SAGRADO & o PROFANO: SER & NÃO SER.
Popperiano?, Weberiano? Gilbertiano?
Limites & Possibilidades de uma COSMOVISÃO BOBMOTTIANA teatralizada em 3 PERSONAS: em processo, em devir, em mutações, em recorrências:
a do Amante ou amoroso da SABEDORIA, pensador da cultura ou mestre-inventor de uma Antropologia Filosófica:
a do escritor, ensaísta, além do apenas moderno cronista, autor de um DIÁRIO que, recentemente adquiriu dimensões didático-pedagógicas: “ele fala como escreve ou escreve como fala?” – “porque tantas e tão raras citações em outros idiomas?” artimanhas & armadilhas da Sabedoria?
a do professor-mestre-doutor: o Pai-pensador, de um Filho-escritor, sob e sobre as línguas de fogo e do Espírito Santo, tornando-se o mais chistoso dos professors-acadêmicos. Com uma didática (além do apenasmente instucional), quase desnorteadora entre a ironia socrática e o sarcasmo sacrificial-homoerótico-pansexual?
A coexistência (cruel e confraternizadora) dessas três PERSONAS, processualmente, no MESMOUTRO universo epistemológico-valorativo e metafísico-fenomenológico, agudizam a COSMOVISÃO BOBTTINIANA. Personas da hibridação e do sincretismo, para ele, eles, existiriam fronteiras entre Ciência, Arte, Religião, Política, Filosofia, LINGUAGENS, de todas as unidades e multiplicidades?
Em um de seus mais recentes textos, nossa Persona Tríplice entrega as chaves de seu reino, talvez de-mitologizado, talvez reencantado, talvez sempre em busca de novas outras positividades fenomenológicas:
“Para entendermos o que se passa, nós precisamos das coisas mais simples deste mundo, isto é, precisamos de bons conceitos e boas hipóteses, uns e outros com referentes empíricos observáveis, isto é, existentes no mundo real e não apenas no mundo imaginário, nessa espécie de simulacro do mundo que nós construímos em nossos debates e com o qual queremos substituir ou, pelo menos, refazer o mundo real à imagem e semelhança de nossos interesses”.
No embate entre o real e o pensamento, os limites e possibilidades da RAZÃO podem ser repensados. Se nosso AUTOR continua fiel, criticamente fiel, ao ideário da PAIDEIA greco-romana, vislumbremos três concepções da RAZÃO, da mais substantiva racionalidade enquanto projeto de (re)conhecimento do mundo, de nós mesmos, das sociedades, da História, de nossas identidades/alteridades.
Se antes tratamos das 3 Personas, agora encaremos 3 concepções da Razão.
3.1. PHRONESIS: sabedoria, prática de concretudes;
3.2. LOGOS: saberes discursivos, argumentativos, articuladores entre as experiências e os CONCEITOS.
3.3. NOUS: os saberes do saber, da intuição criadora em todos os níveis afetivo, volitivo, intelectual.
Entre a onipresença da Santíssima Trindade e os fantasmas de Augusto Comte, poderemos transdidaticamente estabelecer correlações?
O projeto de cientificidade Popperiana revisitado pelo Logos BOBMMOTIANO?
A modernidade WEBERIANA, sendo reinventada pelo NOUS das mitologizações BOBMMOTIANAS?
As sombras, heranças e errâncias, preconceitos e assombrações GILBERTIANAS continuarão sendo ab-sorvidas autofágica ou antropofagicamente pela COSMOVISÃO BOBMMOTIANA? Pela PHRONESIS das REGIONALIDADES?
OU TUDO NÃO PASSARIA DE MAIS UM exercício de NOSSA VADIA POETICIDADE?
Recife, dezembro de 2001.
