Plaquete Makunaimã morî mai: palavras belas de Makunaimã

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Desde as primeiras páginas de Makunaimã morî mai: palavras belas de Makunaimã, Trudruá Dorrico nos desafia a imaginar — e reconhecer — um mundo sem as fronteiras e formas de ocupação que fomos levados a crer que sempre estiveram onde estão: “meu povo Makuxi, cujo território ancestral, o Circum-Roraima, localiza-se em três países: Guiana, Venezuela e Brasil”. É desse mundo grande, livre, ancestral, antes dos nomes e mapas, que vem sua poderosa voz poética.

Para Dorrico, jovem poeta e pesquisadora que tem se destacado na recuperação da literatura e da cultura originárias, cada nova página é também um reencontro com a língua de seus ancestrais, a língua makuxi, de tronco linguístico karib, depois de gerações forçadas a “esquecer” o idioma nativo para serem aceitas em escolas, igrejas, trabalhos. Um povo que sofreu a “diáspora em sua própria terra”, sob os ataques da doutrina do progresso e da civilização, precisando apagar sua cultura para “ser brasileiro”.

A plaquete reúne poemas em português e na língua makuxi, bem como traduções de pandoni (histórias de seres da floresta) e textos em que essas línguas se unem. Ao final do volume, um pequeno vocabulário “maimu-português” ajuda a orientar os leitores de português nessa riquíssima travessia entre culturas.

Os poemas nos apresentam o “ecossistema dos deuses”, lançando luz sobre as diversas camadas de um modo de viver e se relacionar com a terra que não apenas conta algo fundamental sobre nosso passado, mas também mostra caminhos para um futuro menos destrutivo. “Ser makuxi hoje é um orgulho, mas antes, não muito tempo atrás, era uma condenação”. Por isso, contar a história é reiniciá-la, abrir possibilidades para que a vida se reinvente. Nas palavras da poeta: “Escrever me ensina a ser floresta”.

Sobre a autora:

Trudruá Dorrico pertence ao povo Makuxi. É escritora, artista e pesquisadora de literatura indígena. Entre seus livros, destacam-se Originárias: uma antologia feminina de literatura indígena (Companhia das Letrinhas, 2023) e Tempo de retomada (Autêntica, 2025). É doutora em teoria da literatura pela puc/rs, com pós-doutorado pela ufrr.

Por dentro da capa da plaquete:

Harmonia: essa talvez seja a palavra que melhor define a pintura de Felicia Júlia Dorrico que ilustra a plaquete Makunaimã morî mai: palavras belas de Makunaimã, de sua filha Trudruá Dorrico. Em “Casa no lavrado” (pintura à mão com tinta de tecido, 2024), a cena singela da vida makuxi acontecendo — um homem sentado à sombra da árvore, um animal passeando, a paisagem verde, o horizonte calmo, o coqueiro, o abrigo, a fogueira, o pilão —, tudo remete à harmonia que ressoa também nos versos da poeta. Quando a poeta diz “meu primeiro abrigo é o meu povo”, mobiliza, a seu modo, os mesmos elementos que identificamos na pintura, porque “povo” e “abrigo” para elas não são abstrações; são formas muito concretas de convívio em comunidade, que envolve um modo de existir, de se alimentar, de respeitar a natureza, de se comunicar com seus parentes e ancestrais. Não se pode falar em vida sem manter esses laços e respeitar essa harmonia.

Ficha Técnica

Título: Makunaimã morî mai: palavras belas de Makunaimã
Autora: Trudruá Dorrico
Formato: 13,5 x 20 cm
Número de páginas: 40 PP
ISBN: 978-65-6139-080-4
ISBN e-book: 978-65-6139-081-1
Preço da plaquete: R$ 47,90 (e-book: R$ 33,50)
Envio da caixa para assinantes: agosto
Data de livraria: 01/09/2025
Editora: Círculo de Poemas

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