4 Poemas de Sandra Rosas (México, 1977)

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Curadoria e tradução de Gladys Mendía

Sandra Rosas (1977) é mexicana, nascida no Estado do México. Escritora e poeta. Estudou Letras Latino-americanas na Universidade Autônoma do Estado do México e participou de diversos ateliês literários em casas de cultura na cidade de Toluca. Deixou sua cidade natal em 2004 para viver e trabalhar em Berlim. É mestre em Estudos Interdisciplinares Latino-americanos pela Universidade Livre de Berlim e foi bolsista na residência artística Künstlerdorf Schöppingen, Alemanha, em 2021. Atualmente, é bolsista do Senado de Berlim. Em 2023 a LP5 Editora (Chile), publicou seu livro El mar que no vio mamá.


O MAR

Quando pequena, eu entrava no rio enquanto minha avó lavava a roupa.
As pedras cobertas de musgo
acariciavam as solas dos meus pés e
cheia de alegria, eu via os peixes perto de mim.
Não nasci perto do mar nem o conheci quando criança.
Meus olhos viram o mar —pela primeira vez— quando completei 17 anos.
Não foi o mar que conhecia dos filmes
nem me deitei na praia para tomar sol.
Prometi a mim mesma voltar.
Voltar —sozinha—
para ver aquelas ondas brancas conversarem com o sol.
Já adulta, caminhei por outras praias,
ouvi outros mares.
Construí castelos e tirei fotografias e
vídeos do mar.
Comprei chapéus e brinquedos para a menina que fui,
para a que não foi ao mar
nem brincou na praia.
Para ela tirei fotografias e
a convenci a contar seus segredos ao mar.
De volta para casa, enchi uma garrafa com areia do mar.
E comprei-lhe um caracol.


[O QUE É O AMOR?]

O que é o amor?
Ser comido, mastigado,
esmagado pela nuca
pelos desejos do outro.
O que é o amor?
Pergunta a pele alisada
que busca um lar.


[A CIDADE QUE CAMINHO]

A cidade que caminho se chama Eu.
Embarco nela com a convicção
de chegar ao meu destino.
São os olhos postos na casa não construída,
a massa na superfície das minhas mãos,
o número que se repete nos meus sonhos,
o corpo sobre as pontas dos meus dedos.


[O TRÂNSITO DO COTIDIANO]

O trânsito do cotidiano,
o medo de dar um passo em falso,
de rolar até quebrar a testa.
É a palavra que se prende
a que não engulo,
a que se torna navalha ao caminhar com a morte,
o olho de vidro da minha infância.

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