Por João Wilker
O Brasil já teve vários nomes. Pindorama, Monte Pascoal, Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz… Etc, Etc. Até pouco tempo atrás, no entanto, o País Continental possuía dois. Um nome real, de batismo, no documento, e outro “Mais legal” que se usa pra “sair com a galera”. O primeiro é Brasil, o segundo é Brazil.

A mudança de uma simples letra já foi observada como uma das grandes ironias da existência brasileira por diversas expressões culturais. Música, arte, memes e poemas. O Brasil é o lugar onde moramos. O Brazil é a versão “Unitense” do nosso país, muitas vezes resumida a “Peito, bunda, grana, puta/Festa, droga, carnaval de rua”, como Urias coloca em Voz do Brasil. Aqui, nesse país paralelo, existem terras raras, água, usinas hidrelétricas, gado, muita coisa que há naquele com S, mas as cidades são só três ou quatro entre Rio, São Paulo, Salvador e Brasília. Interessantemente, a que mais fica de fora é Brasília. Talvez porque não saibam escrever o nome.
No entanto, recentemente o Brazil deixou o Brasil, após ter seu passaporte confiscado pela polícia. Ou quase confiscado, já que foi-se antes. Lá, reivindicou ser o verdadeiro Brazil. Ninguém comprou. O Brasil ficou aqui, olhando de longe essa versão sua, deturpada, horrenda, diminuta e principalmente covarde, que assim deveria ser para estar lá, nos Unites States of America.
Não entendeu? É simples. O erro que um cometeu, o maior e mais laranja cometeu também. Errou em um documento o nome do próprio país, e assinou encima (literalmente) de onde estava escrito Unites States of America. É um problema, aparente, que também deve explicar a existência dos Fascistas: não sabem ler. Por isso não os chamo mais de Estadunidenses nunca. Escolheram ser chamados de Unites, então, Unitense parece mais correto. Não? Sim.

Viveremos então a grande decisão: qual Brasil sobra? O soberano, com nossa pluralidade, democracia, multilateralidade e, mais ainda, vontade de crescer e futuro, ou o Brazil? Subalterno, mínimo (em Estado e em tamanho), e ainda mais, medroso?
Isto é, na Literatura é que a decisão ocorre. Ainda haverá muita água política para correr embaixo da ponte que divide os dois Brasis. Mas conceitualmente foi esta a ruptura. Caso um vença, o Brazil torna-se mesmo isto, menor. Caso outro, temos um Futuro fora dos países em desenvolvimento, queira deus, para um desenvolvido. Torçamos para que nossos líderes saibam ler as estrelas que ladrilham o céu da nossa noite, e sejam surdos aos ladrões que ladram de tão longe.
Outra verdade é que, possui aqui ainda uma toca, de onde a raposa fugiu. O Partido Liberal possui uma quantidade influente de criminosos candidatos, alguns criminosos eleitos, alguns outros fugidos. Casos isolados, porém, reunidos. A Cassação desse partido não é necessária do ponto de vista político, de onde sempre se pode dar mais uma mexidinha. Mas do ponto de vista estrutural, visto que são cupins, e nossa casa é de taipa. Uma linda casa, mas de taipa.
O Brazil não deseja, nem deve, retornar ao Brasil. A não ser que direto para a Papuda, que é bem mais fácil de se escrever e falar em Unitense.



