Curadoria e tradução de Gladys Mendía
Nohelia Menjivar (Honduras, 2000). Estudante universitária do curso de Letras com ênfase em linguística na Universidade Nacional Autônoma de Honduras, poeta, gestora cultural, organizadora de projetos autogeridos voltados ao apoio social.
Foge-se dos livros como dos malfeitores
Necessidade dominante, vespeiro dócil.
A cada trote, a existência corre perigo.
Existência que queima as costas;
aterroriza a morte, mas foge-se da vida.
O leito se enche de gotas de esperança.
A via erodida absorve palpitações e sangra.
Passos pelo centro de Tegucigalpa
A travessia nos reúne com os moradores,
contraem o rosto num esgar ao cruzar o olhar com massas conhecidas.
É devastador concentrar-se na chegada do zênite,
revela-se num acaso;
indivíduos que transbordam o seu sistema com etanol,
desditosos que pedem amparo e recebem trocados.
Franquias dominantes ostentam, à entrada, a decrepitude.
Não é Morazán no seu cavalo o ornamento do centro;
o que se enfatiza são as carrocinhas de mão que os mercadores empurram.
Criaturas que tocam o cimento sem abrigo,
com a infância arrancada do seu entorno.
Num cruzamento emerge a realidade
que os covardes ignoram e a esperteza persiste no seu manifesto.



