3 Poemas de Eleonora Requena (Venezuela, 1968)

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Curadoria e Tradução de Gladys Mendía

Eleonora Requena (Venezuela, 1968). Cursou estudos de Letras na Universidade Católica Andrés Bello. Participou dos Oficinas de Criação Literária do Centro de Estudos Latino-Americanos Rómulo Gallegos. Possui Diploma em Crítica de Arte pela Escola de Artes da Universidade Central da Venezuela. É autora dos livros de poesia Sed (Eclepsidra, Caracas, 1998), mandados (La Liebre Libre, Maracay, 2000), Es de día (Pez Soluble, Caracas, 2004), La noche y sus agüeros (Pez Soluble, Caracas, 2007), Ética del aire (Bid and Co, Caracas, 2008), Nido de tordo (Kalathos, Caracas, 2015), Textos por fuera (Taller Blanco, Bogotá, 2020), En el descampado (Antología. Selección de Gladys Mendía, LP5 Editora), Textos por fuera / Outside Texts (Traduzidos por Guillermo Parra, Ugly Duckling Presse, Nova Iorque, 2022) e Partir es andar (Luba Ediciones, Buenos Aires, 2023). Recebeu o Prêmio da V Bienal Latino-Americana de Poesia José Rafael Pocaterra (2000) e o Prêmio Itália 2007 para Poesia, no concurso “Mediterrâneo e Caribe”, promovido pelo Instituto Italiano de Cultura da Venezuela e pelo Centro de Poesia Contemporânea da Universidade de Bolonha. Sua obra está incluída e/ou resenhada em: Metapoéticas, Antología de Poetas Hispanoamericanas Contemporáneas (Editorial Pre-Textos, Madrid, 2024), Rasgos comunes. Antología de la poesía venezolana del siglo XX (Editorial Pre-Textos, Madrid, 2019), Nubes, Poesía Hispanoamericana (Editorial Pre-Textos, Madrid, 2019), Cantos de Fortaleza, antología de poetas venezolanas (Kalathos, Madrid, 2016), Poetas venezolanos contemporáneos. Tramas cruzadas, destinos comunes (Común Presencia Editores, Bogotá, 2014), The Princeton Encyclopedia of Poetry and Poetics (4ª Edição, Roland Greed-ed.), Las Palabras necesarias, muestra antológica de poesía venezolana del S.XX (LOM, Santiago do Chile, 2010), El Hilo de la voz, antología crítica de escritoras venezolanas del S.XX (Angria, Caracas, 2003), entre outros. Atualmente reside em Buenos Aires, Argentina.


[PREPARAR A CESTA]

preparar a cesta
frutas várias uma garrafa
pão desejos algum sonho
uma cilada ou melhor o anzol
meu pudor adormecido
arrancar alguma florzinha alegre da beira
demorar a chegada renunciar aos atalhos via régia
esfregar meus caninos me coçar na espera
farejar o cheiro de menina boa no ar infesto
esperar na cama macia
num armário
amarrada
salvar quem está perdida a inútil façanha
de fazer a bainha numa barriga cheia
qual de todos os espelhos sabe?
como colocar o ponto final a este conto vermelho?


[AS SEREIAS]

as sereias
beberam
leite azedo
de baleia
e embriagadas
dormem
a terrível sesta
do tédio,
de nada servirão
tuas pedras
lançadas
ao mar
desde a praia,
são cantos etéreos
desbotados
que mal
se as tocam
na queda.


[AS VERGONHAS]

As vergonhas
o suor suas ingerências os calcanhares crinas
moldes para fazer e desfazer genuflexões flancos entrepernas
brotos loucuras e pelos lunares inoportunos
fendas e candores
leite de astrolábios articulações babas
estertores cheiro ácido de mãos
sulco atrofiado dom de esponja
Todas aberrações deste corpo
impune atribulado.

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