4 Poemas de Victoria Benarroch (Venezuela, 1962)

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Curadoria e tradução de Gladys Mendía

Victoria Benarroch (Caracas, 1962) é poeta, educadora e assessora psicoeducativa. Participou na oficina de poesia do CELARG com María Antonieta Flores (2001-2002). Publicou Entretejido (Eclepsidra, 2007; Ediciones grupoTei, 2015), La memoria de los trenes (Eclepsidra, 2015) e Siete poemas del encuentro fortuito de las estrellas (Petalurgia, Espanha, 2021). É membro do Círculo de Escritores da Venezuela, da AIPEH Miami e da Associação Israelense de Escritores em Língua Castelhana. Sua poesia integrou a mostra fotográfica de J.J. Castro (Hotel Tamanaco, 2003), como um diálogo entre imagem e palavra. Apresentou sua obra em feiras do livro em Caracas, Miami e Panamá, e foi convidada a Melilla, Espanha, em 2010, para apresentar Entretejido. Seu trabalho foi divulgado em meios culturais dentro e fora da Venezuela, e faz parte de antologias como Exilios y otros desarraigos, Hacedoras, El puente es la palabra, La desnudez de la luz, El dulce ron que las embriaga e Cien mujeres contra la violencia de género. Participou de festivais e leituras poéticas em nível nacional e internacional.


[O DESEJO DE SUAS PÁLPEBRAS]

O desejo de suas pálpebras
me chove
no branco
de uma luz extraviada

esse brilho esconde
a incerteza que prende minhas raízes

envolvo com força a água cristalina
e um refúgio permanece


[UM ESPAÇO PROFUNDO]

Um espaço profundo
transforma meu primeiro arrulho
em um amplo grão de areia

minha tarefa é abraçar
as paredes que cobrem esse esquecimento


[TALVEZ O SEGREDO]

Talvez o segredo do que é sereno esteja ali
transitando silencioso
a orla das palavras
no preciso ritmo do desejo

o gesto sabe de sua entrega


[SOBRE A CALMA ACENDO]

Sobre a calma acendo um poema
sua chama
acolhe o som de um muro

minha dor repousa em um salmo

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