Tenho a Guerra Alinhavada nas Artérias – 2 Poemas de Anna Apolinário

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Anna Apolinário (João Pessoa, 1986). Licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal da Paraíba, especialista em Língua, Linguagem e Literatura. Poeta, produtora cultural independente, organizadora do Sarau Selváticas, co-fundadora da Cia Quimera – Teatro & Poesia, colaboradora da Revista Acrobata – Literatura e Artes Visuais. Autora dos livros Solfejo de Eros (CBJE, 2010), Mistrais (Prêmio Literário Augusto dos Anjos – Funesc, 2014), Zarabatana (Patuá, 2016), Magmáticas Medusas (Cintra/Arc Edições, 2018), Las Máscaras del Aire (Cintra/Arc Edições, 2020), A Chave Selvagem do Sonho ( Triluna, 2020), Furor de Máscaras (Cintra/Arc Edições, 2021).


Mães do Fogo

Súbita e absoluta tarântula
Filha de Nix, vieste fiar a febre em minhas terras.
Tuas agulhas vociferam convulsão em minhas células
Tenho a guerra alinhavada nas artérias
Em meu sangue os céus são dantescos
As estrelas suspiram ciladas
E meu peito troveja coroado pelo nevoeiro.

Enquanto envolves meus alvéolos com teu veludo devorador
E penteias meus pulmões com tuas asfixiantes sedas
Tambores fumegam nas mãos das matriarcas
Com seus clamores luminosos
As mães do fogo esmurram a escuridão
A seiva invade a névoa, o tear estremece.

Flutuo entre safiras cilíndricas
Deliro entre seringas e unguentos
Ouço o rumor dos ventres, o crepitar das preces
Respiro com bravura para atravessar o precipício.
As tapeçarias estão ruindo, os turíbulos labutam
Faíscas fulminam o labirinto
A mortalha é lacerada.
Nefasta fiandeira
Ateamos flamas em tuas teias
Sou néctar, renasço nefelibata.


Hausto

Melros esfumaçam sinfonias
Átomos uivam envilecidos
Reviro-me, volatizo véus
Lambendo ervas para serenar o fel.

As ninfas sopram sete fôlegos
Nervuras esvoaçam trevas
Sou bailarina tatuada no ar
Em apoteose, levito.

2 comentários em “Tenho a Guerra Alinhavada nas Artérias – 2 Poemas de Anna Apolinário”

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