3 Poemas de Jeymer Gamboa (Costa Rica, 1980)

| | ,

Curadoria e Tradução de Gladys Mendía

Jeymer Gamboa é um designer, editor e poeta nascido em Santa Cruz de León, San José, Costa Rica, em 1980. Publicou livros de poesia como Días ordinarios (XI Prêmio Internacional de Poesia Emilio Prados, Pre-Textos, Valência, 2011), Nuestra película de las vacaciones (Ediciones Liliputienses, 2014), La insistência de la luz (Neutrinos, 2015), Un proyecto de futuro (Neutrinos, 2016), El desplazamiento circunstancial o Jardín (Ediciones Liliputienses, 2024). Estudou jornalismo e produção audiovisual na Universidade da Costa Rica. Dirigiu documentários, videoinstalações e curtas-metragens experimentais, entre os quais se destacam Rastros (2010), Extinções (2012) e Imaginário (2013). Na Argentina, codirigiu a revista trimestral de poesia Campotraviesa.


OBJETOS QUE RESPLANDECEM NA MINHA MÃO

Pela manhã,
quando me preparo para correr,
às vezes encontro elementos estranhos
no interior dos meus sapatos
ou nos bolsos das calças.
Pedrinhas, flores, bonequinhos.
Um biscoito pela metade.
Meu filho os coloca lá
sem que eu perceba.
Meu filho também coloca frases
na minha cabeça:
Sabe que as asas dos pássaros
ficam presas quando eles começam a pensar?
Quase sempre descubro seus talismãs
quando ele já se foi
para o jardim ou para a outra casa.
Penso que é sua forma telepática de me cumprimentar.
Sua maneira de rir à distância
enquanto junta suas mãozinhas
na altura do umbigo
durante minha corrida de cinco quilômetros.


NOSSO FILME DAS FÉRIAS

Um conceito mais complexo que a morte
é o fim das férias.
Meu filho de quatro anos acabou de entender.
Guardamos boias, trajes de banho,
o balde para erguer castelos, a luminosidade da costa.
A água é sua definição de felicidade.
Em cada uma dessas viagens de férias
parece que ele compreende algo novo
enquanto eu entendo cada vez menos.
Achei que o caderno ficaria em branco.
Antes de voltar, no cais de Quepos,
meu filho usa a linha do horizonte:
Quando o sol se afunda no mar,
no que o mar se transforma?
Como não sei o que responder,
passo minha mão em sua cabeleira dourada
que naquele momento brilha com o pôr do sol.


NÃO O SÍMBOLO, MAS O CENÁRIO A QUE NOS LEVA ESTE PAVIMENTO: A INSISTÊNCIA DA CIDADE NATAL

É preciso ter reflexos rápidos
no domingo à noite
descendo a montanha cheia de neblina.
Luzes altas que confrontam
numa curva.
Animais que se arriscam a cruzar
a estrada e serem atropelados.
Do banco de trás vem
a voz firme do meu filho:
Quero que seu corpo seja igual
ao da minha mãe.

Deixe um comentário

error

Gostando da leitura? :) Compartilhe!