Curadoria e tradução de Gladys Mendía
Luis Rodríguez Romero, nasceu na Costa Rica em 1979. Faz parte da equipe de gestão cultural da Turrialba Literaria e dirige o Festival Presagio de Fuego em homenagem ao nascimento do poeta Jorge Debravo. Foi finalista do Prêmio Internacional de Poesia XXXV da Fundação Loewe no ano de 2022. Poemas de sua autoria aparecem nas antologias: Voces del viento (Projeto Palitachi, Nueva York Poetry Press, 2018); Le Parole Grondanti: Antologia Della Nuova Poesia Centroamericana (Fermenti, 2021), organizada por Emilio Coco. Publicou as coletâneas de poemas A voz que dorme entre as pedras (Nueva York Poetry Press, 2018, EUA) e Breve história do sol (Santa Rabia Poetry, 2022, Peru).
TERMONUCLEAR
Eu não tenho nada a ver com uma bomba!
Lise Meitner
I
Somos filhos da gravidade,
e do coração
uma mão nos puxa
para uma prisão que nos é familiar.
Amontoamo-nos de olhos fechados
enquanto um veneno desce do sol.
No fim, seremos partículas instáveis.
II
Uma gota cai sobre minha pupila
que, na escala correta, é um oceano
transbordado em relâmpagos de água.
Então corremos em direções desordenadas
deixando coágulos de humanidade jogados nas ruas;
crescem formando cópias órfãs
do nosso antigo eu,
e se prostram temerosas em galpões de egoísmo.
Sob esta nova ordem teórica, voltam a se mover
chocando uns contra os outros
e o sem sentido se repete.
OCASO
Quando o sol se põe no peito,
lança dedos e raízes,
se infiltra pelos poros até rasgá-los
com uma inundação de seus membros.
Agarra-se bem às costelas,
encontra terra fresca lá no fundo
entre os pulmões e dá rédea solta
à sua ânsia de cultivar novos astros celestes.
Antes que você perceba,
tem um aglomerado de galáxias
gravidade em cada respiração.
Por isso, de manhã, quando sentir seu calor,
lembre-se de que você é da noite asséptica,
e renuncie às leis do universo.



