6 Poemas de María Gabriela Lovera Montero (Venezuela, 1972)

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Curadoria e tradução de Gladys Mendía

María Gabriela Lovera Montero (Caracas, 1972) Poeta, editora, diagramadora. Fundadora do espaço de edição alternativo petalurgia.com. Licenciada em Comunicação Social pela Universidade Católica Andrés Bello, com Mestrado em Edição de Livros pela Universidade de Alcalá de Henares. Participou de dois ateliês de criação literária no Centro de Estudos Latino-Americanos Rómulo Gallegos. Publicou os seguintes títulos: ¡Tururú!, Lastura Ediciones, 2024; Por debajo del viento (segunda edição), Azalea Ediciones, 2022; Extraño vértigo, LP5 Editora, 2020; Duendes caseros ¡hasta en la tostadora!, EDAF, Madrid, 2016; Desvelos, Amargord Ediciones, Madrid, 2012; Sabia Vida Savia: manual de irrealismo pragmático, Amargord Ediciones, Madrid, 2008; Y de la noche tanto, Editorial 50 de 50, Caracas, 2004; Por debajo del viento, editorial El Pez Soluble, Caracas, 2000. Publicação prevista para 2025 do livro de poemas ilustrado por Alba Hoyos Las últimas serán las primeras. Foi incluída em várias antologias de poesia venezuelana e latino-americana: Círculos de luz, Academia de Poesia da SMGE (capítulo Madrid), 2024; Hacedoras; La flor en que amaneces; Fanky, antologia arbitrária Peru-Venezuela; El puente es la palabra; EN-OBRA; La maja desnuda; Voces nueva; entre outras. Faz colagem analógica e digital.


[HÁ UM POEMA]

Há um poema que, no meio da noite, tem medo.
Acorda com a sede noturna do poeta: incapaz
de percorrer os escuros corredores de sua infância,
para buscar a água que o sacie.


[NÃO HÁ ANJOS]

Não há anjos em meus poemas
porque neles não existe um céu.
Não pude voar, é isso.

Percorro a terra alheia a tudo,
com a vaga sensação de ter caído.


A MEIO CAMINHO DA LUZ

Inclinaste-te para mim
Senhor,
Desde a tua árvore
E estendeste a sombra até meus olhos
Quisera devolver-te o fruto
Mas só tenho esta vida
Travada no peito
A meio caminho da luz.


[ESCREVI DESDE]

Escrevi desde a dor de sair.
Escrevi desde a nostalgia de entrar.
Melhor será apagar todas as portas,
jogar o lápis junto com o resto das chaves loucas.
Que a palavra corpo atravesse as paredes,
que a palavra me desapareça,
que a palavra palavra morda a mão que a escreve
e fuja para o outro lado da folha,
para a espessura da floresta.


IMIGRANTE

Inclinas um pouco a nostalgia ao andar.
Percebe-se que te pesa o outro lado do mundo.
Desenhas o fio tênue do funâmbulo
entre fusos horários.
Tentaste atravessar com palavras de outros tempos,
mas tua boca é um desequilíbrio.
Cambaleias de passado,
titubeias de presente.
Voltar
é uma vertigem incurável.


PAI

Não estou lá.
E esse não estar atropela a noite,
sacode sonhos na minha cama,
joga os olhos contra a cabeceira,
faz explodir a culpa no olhar.
Temo não estar quando tua luz se apagar,
quando arrancarem de uma vez teus impulsos.
Quisera cobrir de pálpebras até o último brilho,
deixar dormir aquilo que se esgota.
Mas não estou lá.
Não posso estar.
Cortei o talo do lado da flor,
ignorei as raízes.

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