Curadoria e tradução de Floriano Martins
Javier Claure Covarrubias nasceu em Oruro, a capital folclórica da Bolívia. Ele é um jornalista, sociólogo e poeta boliviano-sueco. É membro do PEN Internacional, da União Nacional de Poetas e Escritores de Oruro (UNPE), da Sociedade Sueca de Escritores e do Movimento Mundial de Poesia. Membro do Movimento Poético de Benidorm (Espanha), da Associação de Escritores de Madri (AEM), da Associação Universitária Espanhola de Escritores (ACE) e membro titular da Academia Norte-Americana de Literatura Moderna, Capítulo Espanhol. Foi um dos organizadores do Primeiro Encontro de Poetas e Contistas Bolivianos na Europa (Estocolmo, 1991). Estudou ciência da computação na Universidade Real de Tecnologia de Estocolmo (Kungliga). Técnica Ele estudou na Högskolan e na Universidade de Uppsala (Suécia). Também estudou matemática na Universidade de Estocolmo, onde obteve um mestrado em Pedagogia e uma licenciatura em Sociologia. Fez parte da equipe editorial das revistas literárias Contraluz e Noche Literaria. Seu nome consta no Dicionário de Autores de Oruro (2007). Alguns de seus poemas foram selecionados para as seguintes antologias: O Livro de Todos (1999), Poesia em Oruro (2005), Poesia Boliviana na Suécia (2005), Poesia Boliviana Contemporânea (2007), Antologia Anotada de Poesia Boliviana (2010), Antologia de Poesia Universal, Poetas do Século XXI (2010), Poesia da Solidariedade (2013), Antologia Poética do Amor e da Desilusão Amorosa, Espanha (2016), Antologia Poética Bilíngue Romeno-Espanhola, Romênia (2016), Antologia do Festival Internacional de Poesia de Benidorm e Costa Blanca (2016), Literatura Boliviana na Terra de Lorca, Antologia (2024), Deixe a Palavra Voar, Liceu Poético de Benidorm (2025), Ela é autora de Literatura Boliviana na Terra de Cervantes, Antologia (2025) e Literatura Boliviana na Terra de Goethe (2026). Escreveu diversos artigos relacionados ao Prêmio Nobel de Literatura. Participou do Primeiro Festival Internacional de Poesia de Benidorm e Costa Blanca (Espanha, 2016), da quarta edição do Encontro Internacional de Poetas em Telciu (Romênia, 2018), do 16º aniversário do Liceu de Poesia de Benidorm em Priego de Córdoba (Espanha, 2019), do Recital de Poesia da Associação Cultural “La Empírica, Espaço para Arte e Criação” em Granada (Espanha, 2019), do Primeiro Festival Internacional de Poesia Diverbium em Madri (Espanha, 2019), do Encontro de Escritores Bolivianos em Madri (Espanha, 2025), da Terceira Edição do Festival Internacional de Poesia Outsider em Ostuni (Itália, 2025) e do XXVIII Encontro de Poetas Ibero-Americanos em Salamanca (Espanha, 2025). Publicações: Preâmbulos e Ausências (2004), Fogo na Palavra (2006), Profissão Estranha (2010), Réquiem para um Mundo Desmaiado (2014), Da Escandinávia aos Andes (2016) e De Que Espelho É Feita a Vida? (2024).
CANTE O AMOR SEMPRE, MUITO SEMPRE
Quando as estrelas se alinham,
agarrando-se à escuridão,
minhocas pululam pelas plantações de café, e o vento corta como uma aranha com lâminas, é por essa mesma razão, nesta vida de bigorna, pedra e cinzel, que cantar: O amor é sempre, sempre, uma máquina, uma fogueira e um cravo.
Quando as torres de vigia da paz resplandecem
pela quietude do mundo nesta agitação, os cidadãos comuns clamam pela cessação das tempestades na face da terra; por essa mesma razão, nesta vida
de bigorna, pedra e cinzel,
cantar o Amor é sempre, sempre, o motor, a fogueira e o cravo.
Quando alguém se infiltra nas catacumbas
com um discurso falso, tudo o que é notícia é também uma cortina de fumaça, pois é exatamente por isso que, nesta vida de bigorna, de pedra e de cinzel, cantar o Amor é sempre, sempre, o motor, é a fogueira e é o cravo.
MIRAGEM
Faz tanto tempo
que não te vejo em alto-mar,
frágil, decorativa e entregue
às quatro estações.
Há tanto tempo
que permaneces cavalgando
na minha caligrafia, sem sela,
como pele recém-desperta
após sonhos adormecidos
nas portas antigas de navios antigos.
Dias, meses e anos se passaram;
vivi cercado pela tua ausência.
O calendário tem lábios de N e O,
e às vezes parecia desumano
dizer adeus.
Tua partida repentina
foi a guilhotina dos teus desejos,
uma varanda inacabada,
uma sinfonia incompleta
nas partituras de Mozart.
E que ontem,
apenas ontem,
você era:
videira,
açúcar,
frescor,
a alma da minha vida.
Você era a estrela brilhante
da noite escura,
o rubi do marca-passo…
Ou talvez
não tenha passado tanto tempo
e neste momento
eu esteja apenas imaginando
a miragem da vida.
[A VIDA É COMO UM RAIO CAINDO]
A vida é vida, como um raio que cai;
nadamos no ventre materno
e vislumbramos, nas noites de mil luas,
o dia do tempo
para jogar as rodadas de Mistral.
A vida é como um raio que cai;
acalentamos ilusões e cuidamos de nossos filhos,
caminhamos às apalpadelas
com o peso do dia a dia sobre nossos ombros,
e muitas vezes em direção a uma miragem
que brotou dos troncos sofridos do planeta.
A vida é a vida, como um raio que cai;
plantamos árvores para ver nossos sonhos em seus frutos,
guardamos memórias em fotos;
nada é eterno na roda da existência,
ninguém possui a verdade absoluta;
a espada que nos protege
é também a que nos julga e pune.
A vida é como um raio que cai,
os anos passam, as nuvens passam, os navios passam,
somos água,
somos fogo,
somos ar
e somos terra.
TUDO IMPORTA
Tudo importa:
as chaves e os livros perdidos no trem,
as colheres guardadas nas gavetas,
o coaxar dos sapos na poça,
o sal que cai na comida,
a gíria subterrânea dos ratos,
o comportamento do majestoso condor,
mas o que mais importa
são os gemidos das mulheres
que estão dando à luz neste momento.
FINITO INFINITO
A sequência de números primos em linha reta, infinita;
uma bicicleta dentro da sala, finita;
o espaço com seus buracos negros, finito;
um helicóptero viajando de um lugar para outro, finito;
o zero vagando na abóbada celeste, finito;
um raio de luz refletindo em um lugar desconhecido, infinito;
os livros expostos na biblioteca, infinitos;
o amor pela humanidade, finito.



