Curadoria e tradução de Floriano Martins
Alejandro Cesario (Buenos Aires, 1967). Publicou: Esas miradas tristes – un viaje por la Patagonia, romance, 2006. Poemas: El humo de la chimenea, 2009; Fragor de borrascas, 2011; Ciervo negro, 2012; Estación de chapas, 2013; La última sombra, 2015; El bruto muro de la casa propia, 2018; Tonada que no canta, 2020; Una hilacha en lo real, 2022 – Menção de honra 2021-2022, pela Sep (Sociedad de Escritores de la Provincia de Buenos Aires); e La tersura del silencio, 2025. Integrou a Antología Federal de Poesía de la provincia de Buenos Aires (Consejo Federal de Inversiones, 2019) e Poesía Argentina Contemporánea, Tomo I, Parte trigésima (Fundación Argentina para la Poesía, 2025). Dirige juntamente com Roberto Raschella e Daniel Riquelme as Ediciones La Yunta.
CHEGADA
Ao lado do riacho alongado, uma inhuma e outros pássaros circulam,
o céu turquesa pulsa com batimentos cardíacos,
a mãe aguarda
a chegada de seu filho.
COLÔNIA NOVA ESPERANÇA
Ali,
no lixão do bairro,
onde a humanidade perece
e os sonhos se despedaçam,
ali,
perto da pedreira,
preparando o mate,
o jovem e sua filha
riram alto.
ESPERANÇA
Menina órfã.
Cartaz do ensino fundamental
no balcão.
Sozinha,
ela molha o pão na tigela,
sozinha,
ela rega o manjericão
e vai para a escola.
MAGIA
No chão empoeirado,
antes de adormecer,
ele cobriu
os olhos da menina,
abrigando-os,
e a fez ver
que estavam sob uma nuvem
de lã volumosa.
FANTASMAGORIA
Em pleno meio da tarde,
apesar da morte,
eu te sinto sussurrando.
Então,
posso brincar com o maravilhoso.
OLHAR
Aquele menino,
não é
o odre de vinho,
nem aquele que caminha descalço
de mesa em mesa,
mas o que agoniza
sob aquela pele.
CEMITÉRIO
No silêncio convulsivo,
a espiral trêmula da dor.
Papai deixou flores para o vovô
e em voz baixa me disse:
Eu respiro melhor aqui!
DESPEJO
Orfandade da terra vermelha.
O despejo chegou
e com o despejo, o vinho
e com o vinho,
pequenos fios de ilusão se solidificam.



