2 Poemas de Katherine Navarro González (Costa Rica, 1997)

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Curadoria e tradução de Gladys Mendía

Katherine Navarro González nasceu em Cartago, Costa Rica, em 1997. Graduada em Filologia Clássica pela Universidade da Costa Rica. Escreve poesia breve, inspirada no detalhe e na introspecção.


FORMIGAS

As formigas deslizam por debaixo do sofá, negras, perspicazes e silenciosas.
Eu me estendo no meio como um móvel
efêmero, sem uso definido e caprichoso.
Elas me cercam, mas não me importo:
se não me movo, não picam.
Eu as observo com meu corpo titânico.
Penso, por um momento, que somos iguais.
Elas, talvez, pensem em quanto me temem. Ou não se importam. Ou simplesmente não me reconhecem.
Então, estico o dedo como uma adaga,
o mesmo dedo que se corta e arde ao virar as páginas…
E, com a mínima premeditação,
deixo-o cair, certeiro…


A ALTITUDE DA ETERNIDADE E UM DIA

Como se o tempo marcasse a distância infinita,
tu te moves como uma gota em reverso:
de uma breve explosão
a formas bonitas no céu;
as figuras do alívio certo que só existem
e se dissolvem para ser de novo.
Apesar de seu ciclo perpétuo,
só consolam diante da fantasia do olhar,
porque sempre correm e mudam.
Eu gostaria de moldá-las para ti,
entregar-te as nuvens em tuas próprias mãos,
que sejam o calor de que precisas,
que as abraces e nunca se desfaçam,
nem mesmo numa pequena chuva.

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